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Prefeitura de SP recicla ações anteriores em plano para sem-teto

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O novo programa da Prefeitura de São Paulo voltado aos moradores de rua irá repetir uma série de ações extintas em mandatos anteriores.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) irá contratar mil sem-teto para serviços de zeladoria urbana, como varrição e manutenção de hortas e jardins, assim como ocorreu no extinto De Braços Abertos, iniciado na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT).

O novo programa também prevê a capacitação emocional para o trabalho, mesma proposta do Trabalho Novo, encerrado na gestão do ex-prefeito Bruno Covas (PSDB).

As contratações de beneficiários do programa Reencontro serão feitas no âmbito do POT (Programa Operação Trabalho), que concede bolsa auxílio a pessoas em situação de vulnerabilidade em troca de serviços prestados à administração desde 2004.

Antes de iniciarem a rotina de trabalho, os beneficiários deverão passar por oficinas de capacitação "profissional e socioemocional", segundo minuta de edital para contratar a empresa responsável por essas oficinas obtida pela reportagem.

O programa Reencontro foi anunciado pela prefeitura no fim de janeiro como uma ação de enfrentamento ao aumento de 31% da população de rua na capital paulista entre 2019 e 2021, segundo censo recente.

Os beneficiários terão acesso a moradias transitórias, construções de até 18 m² a serem erguidas na região central, e a imóveis via locação social.

O perfil de sem-teto que mais cresceu foram as famílias a que a administração municipal atribuiu ao "binômio pandemia de Covid 19 e agravamento da crise econômica".

Criado em 2014, o programa De Braços Abertos tinha o objetivo de oferecer trabalho e moradia aos usuários de drogas que vivem no entorno da cracolândia, na região central da cidade.

O programa foi inspirado em iniciativas americanas e canadenses e incluía vagas em hotéis no centro e trabalho de varrição a usuários que aceitassem tratamento.

Duramente criticado por João Doria (PSDB) durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2016, o De Braços Abertos foi extinto na gestão tucana e deu lugar ao programa Redenção, que tinha como principal viés a internação em clínicas psiquiátricas.

Nunes assumiu a prefeitura em maio do ano passado, após a morte de Covas, eleito duas vezes prefeito após ser vice na gestão Doria.

Diante da alta rotatividade das internações, o programa Redenção foi esvaziado pela administração, que fechou os equipamentos de atendimento na região da cracolândia.

Apesar de não ser necessariamente voltado a usuários de drogas, o programa Reencontro acumula uma série de similaridades com o De Braços Abertos e com outro projeto extinto da gestão tucana, o Trabalho Novo, que oferecia oficinas direcionadas a aspectos emocionais dos sem-teto antes de encaminhá-los para as vagas de trabalho na iniciativa privada.

Em nota, a gestão Nunes refutou as comparações e afirmou que o programa Reencontro "é voltado ao atendimento da população em situação de rua, que está relacionada a diversas situações de risco e de vulnerabilidade social que extrapolam o uso abusivo de álcool e outras drogas".

Além de oferecer vagas de trabalho na zeladoria urbana, o programa Reencontro prevê a capacitação dos moradores de rua para conscientizar a população sobre o "manuseio correto de resíduos", segundo trecho de minuta de edital.

No documento, a prefeitura pontua que o aumento da população de rua criou a necessidade de "um novo olhar sobre a zeladoria, a destinação e o correto manuseio do lixo produzido seja pela doação de alimentos para este público, seja pela falta de conscientização dos comerciantes e munícipes".

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