Pessoas protestam em redes sociais contra prisão de suspeito de atear fogo em Borba Gato

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

03/08/2021 21h07 — em Variedades

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em protesto contra a prisão de Paulo Roberto da Silva Lima, entregador de aplicativos e ativista conhecido como Paulo Galo, usuários de redes sociais estão assumindo a autoria do incêndio na estátua do bandeirante Borba Gato, que ocorreu no último dia 24 de julho.

Galo foi preso temporariamente por participar do ataque quando chegou à delegacia de polícia espontaneamente para depor. Ele admitiu a participação do incêndio.

"O ato foi para abrir um debate. Em nenhum momento foi feito para machucar alguém ou querer causar pânico. Que as pessoas agora decidam se querem ter uma estátua de 13 m de altura [com o pedestal] que homenageia um genocida e um abusador de mulheres" , disse o entregador.

Usuários de redes sociais, entre eles alguns famosos, protestavam também contra a prisão da companheira de Galo, a costureira Géssica Silva Barbosa, que já foi liberada.

A atriz e comediante Samantha Schmütz escreveu em uma rede social: "eu também queimei a estátua de Borba Gato! Liberdade para Paulo Galo e Géssica!". Sua postagem teve cerca de 17,8 mil curtidas e 1.400 compartilhamentos, com muitos usuários endossando o apoio da atriz.

Para reunir as postagens sobre o tema os usuários utilizaram a hashtag #LiberdadeParaPauloGaloeGessica, fazendo coro aos pedidos de soltura do casal.

Profissionais de diversas áreas também gravaram vídeos em protesto contra a prisão temporária. A cineasta Eliane Caffé e o artista e pesquisador Lucas Bambozzi foram alguns deles.

"Meu nome é Lucas Bambozzi e eu quero dizer que eu também coloquei fogo na estátua do Borba Gato, uma estátua que já deveria ter sido tirada de lá há muito tempo", disse o pesquisador em rede social.

A prisão de Galo e de Géssica havia sido determinada pelo prazo de cinco dias, mas na última sexta-feira (30) a Justiça prorrogou por mais cinco dias a prisão do entregador e concedeu liberdade provisória à costureira.

Amparada por um pedido da Polícia Civil, a juíza responsável pelo caso, Gabriela Marques da Silva Bertoli, soltou Géssica. Para prorrogar a prisão do ativista, argumentou que ele "apresentou diversas incongruências que estão sendo apuradas pelas equipes de investigação".

"Não só isso, constataram que os atos [de incêndio] teriam sido praticados por diversas pessoas sob o comando do investigado, o qual seria uma espécie de líder da associação criminosa", escreveu em sua decisão.

Criminalistas, porém, consideraram as prisões ilegais. Em reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o advogado Augusto de Arruda Botelho disse que a prisão temporária deve ser feita quando é imprescindível para as investigações, e que "no caso específico do Galo, só a apresentação espontânea dele, para colaborar com as investigações, esvazia completamente a imprescindibilidade".

Os protestos seguiam uma receita: nome, profissão e a confissão. Grande parte deles foi feita poucos dias após a prisão do casal e antes da decisão da juíza Silva Bertoli.

Para a professora de direito penal da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) Heidi Florêncio Neves, os relatos não podem ser considerados confissões, uma vez que para uma confissão ser aceita são necessários outros elementos que comprovem a participação da pessoa no crime.

"Falta o elemento subjetivo necessário para configurar o crime. Elas [as pessoas] não querem elogiar, enaltecer a queima da estátua. Querem se posicionar a favor de quem o fez, em apoio à causa", explica a professora.

Por outro lado, diz Florêncio, há possibilidade remota de alguém entender que essas pessoas praticaram o crime de apologia ao crime ou ao criminoso. Nesse caso, a pena prevista é de três a seis meses de detenção ou multa.


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