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Observatório Vera C. Rubin capta pela 1ª vez 'cauda' da galáxia Messier 61

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cientistas conseguiram ver pela primeira vez uma "cauda" da galáxia Messier 61 (M61), em registro feito pelo Observatório Vera C. Rubin, no Chile.

A "cauda" é, na verdade, uma corrente de matéria proveniente de uma galáxia anã que está sendo engolida pela M61, localizada a 55 milhões de anos-luz da Terra no Aglomerado de Virgem —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, 9,5 trilhões de quilômetros.

As imagens foram publicadas em outubro na revista American Astronomical Society. De acordo com o artigo, é provável que a interação entre as duas galáxias tenha proporcionado uma abundância de formação de estrelas na M61 em um momento já mais maduro desta galáxia.

O astrônomo Gabriel Hickel, professor no Instituto de Física e Química da Universidade Federal de Itajubá (Minas Gerais ), que não esteve envolvido na nova pesquisa, diz que a galáxia M61 intrigava cientistas por ter uma taxa de formação de estrelas incompatível com sua idade. A formação de estrelas tende a ser maior no primeiro bilhão de anos das galáxias e decai com o tempo.

No caso das galáxias mais antigas que ainda têm altas taxas de formação de estrelas, a atividade costuma estar associada à interação com outros objetos do entorno. Mas, até a descoberta da "cauda" da M61, os cientistas não sabiam de algo relativamente próximo a ela que justificasse a intensa formação de estrelas. Com as imagens do observatório, os astrônomos puderam notar que a M61 interage com uma galáxia anã, o que explica sua alta taxa de formação de estrelas.

Segundo Hickel, a interação entre as duas galáxias também pode explicar a alta atividade do núcleo da M61. Galáxias costumam ter um buraco negro em seu núcleo, onde a matéria cai. À medida que a galáxia envelhece, essa atividade diminui, mas esse também não é o caso da M61.

Quase do tamanho Via Láctea e bastante brilhante, a M61 foi descoberta em 1779. O Aglomerado de Virgem, que fica relativamente próximo à Via Láctea, serve de protótipo para estudar outras galáxias. "A gente tem a oportunidade de observar esse aglomerado com mais propriedade, ver detalhes que você não vai ver em aglomerados mais distantes. Isso já faz da M61 importante", diz Hickel.

O "canibalismo galáctico" é bastante comum em aglomerados de galáxias. Porém, mesmo em casos relativamente próximos à Terra, o fenômeno é de difícil observação e demanda grande capacidade instrumental. "Geralmente, você está enxergando uma coisa que é pouco brilhante do lado de um objeto muito brilhante", afirma Hickel.

O astrônomo classifica os resultados até agora mostrados pelo Observatório Vera C. Rubin como fantásticos. Ele ressalta, contudo, que ainda há mais por vir, inclusive do Aglomerado de Virgem, que o supertelescópio está mapeando como um todo.

Para Hickel, a descoberta da "cauda" da M61 pode ajudar em outros estudos sobre o Universo, como a relação da própria Via Láctea com as galáxias do entorno. "Então, você poder ver uma galáxia similar à nossa, em tamanho, em massa e até em formato — é uma galáxia espiral também — passando por esse processo é importante."

Localizado no Chile, o Observatório Vera C. Rubin abriga a maior câmera digital já construída. Nos próximos dez anos, o equipamento vai realizar um mapeamento do Universo.

Em junho de 2025, o observatório divulgou suas primeiras imagens captadas durante dez horas de testes de observação, com registros de milhões de galáxias e estrelas da Via Láctea, bem como de milhares de asteroides.

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