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Obra na Serra das Araras deve terminar um ano antes do previsto

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - As obras para a construção das novas pistas de subida e de descida na Serra das Araras, trecho de oito quilômetros na Via Dutra e importante gargalo no transporte de cargas no país, deverão ser entregues um ano antes do prazo previsto.

Atualmente, as duas vias dividem o tráfego por oito quilômetros na serra --do km 233 ao km 225-- entre a subida, no sentido São Paulo, e a descida, para o Rio de Janeiro. A obra de R$ 1,5 bilhão contempla 24 novos viadutos para suavizar curvas -um deles já entregue.

Quando concluído, o trecho terá uma nova pista de descida, com oito quilômetros e quatro faixas, além de acostamento, e uma pista de subida reconfigurada, também com o mesmo formato, quatro faixas mais acostamento, além de duas áreas de escape, passarelas e pontos de ônibus.

A estimativa é que o tempo na descida (sentido Rio) seja reduzido em 50%, com esperada queda de 25% no sentido oposto (São Paulo).

O prazo contratual para a entrega da pista de subida é março de 2028, enquanto a pista de descida tem previsão de entrega em março do ano seguinte.

Agora, com cerca de 50% da obra pronta, ambas devem ser entregues em março de 2027, com antecipação de um e dois anos, respectivamente, segundo Eduardo de Camargo, CEO da plataforma de rodovias da Motiva (ex-CCR).

Para ele, é quase como se a concessionária estivesse "construindo uma rodovia dos Bandeirantes na Serra das Araras". A via deverá permitir ter limite de velocidade de 80 quilômetros por hora, ante o atual, de 40 quilômetros por hora e, com traçado mais adequado, a expectativa é que registre menos acidentes e que caiam as emissões de CO2.

"É uma das obras mais emblemáticas que a gente tem aqui no nosso portfólio. Estava para ser executada em 52 meses, e a gente sabe que é um gargalo superimportante nessa conexão Rio-São Paulo, um traçado muito antigo, em que a gente tem uma quantidade de acidentes, tombamentos de caminhão muito importante."

A Motiva tem investimentos para os próximos anos de R$ 53 bilhões em obras estruturantes em rodovias.

De acordo com Camargo, a antecipação do cronograma foi possível porque a situação da serra já era estudada ainda antes de a CCR ganhar a concessão.

"A gente já tinha um projeto quando éramos Nova Dutra, portanto a gente conhece bastante a região. Esse é um projeto que a gente conseguiu desenvolver de uma forma bem avançada antes mesmo da licitação. A gente conseguiu [a aprovação do] licenciamento ambiental de forma célere junto ao órgão ambiental [do Rio de Janeiro]. Foi um planejamento muito bem feito pela concessionária e uma performance muito boa da construtora."

O executivo disse ainda que o clima foi propício, com muita movimentação de terra no período seco, parte da obra que está muito avançada. Agora será a vez dos viadutos.

A rodovia Presidente Dutra, inaugurada em 1951, teve edital de concessão aprovado em 2021, válido por 30 anos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), era à época ministro da Infraestrutura do governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e mencionou a concessão e o plano de obras como um feito durante a campanha de 2022.

Passam por ela, segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), 390 mil veículos/mês -36% deles caminhões- e cerca de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) do país circula pela Dutra.

BENEFÍCIO TARIFÁRIO

A antecipação da entrega da obra, se confirmada, poderá resultar em benefício tarifário para a Motiva, junto à ANTT, que está em discussão, segundo Camargo.

Ele disse que é prematuro calcular o que isso significaria nas tarifas de pedágio caso ele seja obtido pela empresa. "Acho que, de verdade, para o usuário da rodovia, o cliente da concessionária, é bem pouco representativo. A gente deve estar falando de segunda casa decimal [centavos], mas para a concessionária faz bastante diferença", disse.

Ele afirmou que o debate com a ANTT ocorre também porque no contrato para a Serra das Araras não existia o chamado fator A, que permitiria o benefício.

"Há dois instrumentos. O fator A nada mais é do que ele tentar simular o custo do dinheiro no tempo. Se eu estou colocando o dinheiro de forma antecipada para executar a obra, o contrato me permite ser remunerado por isso. Da mesma forma, eu tenho um outro fator que, se eu atraso a obra, significa que eu não desembolsei aquele dinheiro. Então também tem ali uma penalidade."

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