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Negociadores divergem sobre impacto de incêndio em discussões na COP30

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Negociadores da COP30 divergem sobre o impacto que o incêndio desta quinta-feira (20) terá na reta final da conferência. A COP30 foi suspensa até amanhã, e muitos diplomatas foram enviados para os seus hoteis, seguindo o plano de esvaziamento dos pavilhões.

"Para mim é fácil, estou hospedado perto do pavilhão, mas pessoas voltaram para seus hotéis porque fomos orientados assim, então certamente será muito difícil voltar hoje, por exemplo, para quem está nos cruzeiros. Não sei se vão conseguir trazê-los de volta ainda nesta noite", afirmou Richard Muyungi, chefe do Grupo de Negociadores Africanos, ainda no início da tarde.

Negociadores ouvidos, sob condição de anonimato, avaliam que o incêndio pode atrapalhar os rumos da COP30 e impactar o humor dos diplomatas. Outros, porém, afirmam que será necessário mais tempo para poder finalizar as conversas. Eles ressaltam que as negociações não serão afetadas pelo incidente, que poderiam ter acontecido em qualquer outro lugar.

Um incêndio atingiu os pavilhões da COP30 em Belém (PA) no início da tarde. As chamas começaram nos setores reservados aos países, causando correria entre os participantes da conferência. A energia elétrica foi cortada no local, e as labaredas chegaram a furar os toldos dos estandes. As negociações foram paralisadas, e a zona azul, esvaziada.

Ao todo, 21 pessoas foram atendidas pelas equipes de saúde da COP. A ONU, as forças de segurança e a organização da COP30 chegaram a convocar uma reunião de emergência para abordar o assunto.

Na primeira semana do evento, a ONU enviou uma carta à organização pontuando problemas na infraestrutura e na segurança. O secretário-executivo da UNFCCC (o braço climático das Nações Unidas), Simon Stiell, assinou o documento demandando que a proteção seja reforçada e que os problemas (como alagamentos e altas temperatura no ambiente) sejam resolvidos.

Meses antes do início da conferência, dezenas de negociadores assinaram uma carta endereçada ao governo Lula e a Stiell pressionando para que a COP30 fosse transferida, ao menos em parte, para outra cidade —as reclamações eram sobre os altos preços de hospedagem e os problemas de infraestrutura da capital paraense.

O governo federal optou por mantê-la em Belém, e Lula destacou que isso demonstrava um ato de coragem. O incidente ocorre na fase final da conferência, quando os países tentam fechar o texto final do acordo.

A entidade e a empresa responsáveis por erguerem a estrutura da área central da conferência ficaram em silêncio sobre o incidente e sobre o que se sucedeu nos momentos seguintes ao fogo.

O governo Lula (PT) contratou, com dispensa de licitação, a OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos) para erguer as estruturas do evento da ONU. O contrato tem valor de R$ 480 milhões e já foram gastos R$ 324,6 milhões.

A OEI, por sua vez, contratou a empresa DMDL, por R$ 182,6 milhões, para a construção da "blue zone" —uma ampla estrutura de metal, lona e estandes— no Parque da Cidade. A DMDL já recebeu R$ 112,9 milhões pelos serviços.

A reportagem questionou a entidade e a empresa sobre o incêndio, sobre a resposta dada para o esvaziamento do local (como o funcionamento do sistema de alarme e das saídas de emergência) e sobre problemas elétricos como eventual causa. Nem a OEI nem a DMDL responderam aos questionamentos.

A OEI apenas enviou uma resposta da organização da COP30, a cargo do governo federal, repetindo que o incêndio foi controlado e que não houve feridos, com prosseguimento do monitoramento da situação. A empresa, por sua vez, disse que o governo federal deveria ser procurado.

O ministro do Turismo, Celso Sabino, disse que o fogo pode ter começado em decorrência de um curto circuito. Ele também defendeu a escolha da capital paraense como sede da COP30. "Não vai colar a ideia de que Belém não deveria sediar a COP", disse ele. "Esse incêndio poderia ter acontecido em qualquer lugar do mundo."

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi retirada do pavilhão da COP30 após o incêndio que atingiu o espaço. O incidente ocorreu na fase final da conferência, quando os países tentam fechar o texto do acordo.

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