BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Em declaração oficial nesta quarta-feira (19), a delegação da França diz que o esboço de texto decisório da COP30, que os integrantes do grupo receberam ontem à noite, "não apresenta um nível de ambição suficiente para manter o aumento de temperatura abaixo de 2ºC, sem sequer chegar a 1,5ºC" -meta do Acordo de Paris- e que há necessidade de revisão desse ponto.
A delegação francesa defende uma linguagem mais ambiciosa quanto aos combustíveis fósseis e sua eliminação. "Gostaríamos de incluir o metano entre eles", diz a declaração.
Os franceses ainda apontam a existência de uma demanda quanto a adaptação climática -a preparação para reduzir os impactos do aquecimento já em curso- e o financiamento de tais ações.
A delegação se diz aberta a atender demandas nesse sentido, mas faz uma ressalva: "Não adianta investir nas questões de adaptação se não temos o que queremos em termos de mitigação [das emissões de carbono], porque será um ciclo sem fim. Quanto mais permitirmos que as emissões aumentem, maiores serão as exigências em relação à adaptação. E é por isso que precisamos de uma abordagem mista."
A França também ressalta que há um debate a ser feito para ampliar a base de financiadores das ações climáticas.
"Atualmente, na realidade, só há a União Europeia como contribuinte financeiro", diz a declaração oficial. "E é um pouco difícil admitir que tenhamos que arcar com todo o custo. Gostaríamos também de ver um esforço maior nessa frente."
A França também diz que houve pouca discussão sobre as chamadas "soluções baseadas na natureza" --como a proteção e recuperação de florestas--, que foram tema de discussões na COP26, em Glasgow, na Escócia, e em outras ocasiões.
"Neste ano, achamos que essas discussões sobre florestas e oceanos foram um tanto insuficientes, visto que sabemos que esses grandes ecossistemas naturais permitem sequestrar uma parcela significativa das emissões que precisam ser evitadas", diz a delegação.
Ao mesmo tempo, os franceses tentaram contemporizar as críticas, dizendo que ainda faltam três dias para o fim da COP e, como costuma ser a regra em conferências, é nos momentos finais "que tudo se desbloqueia", mas ressaltam ainda as ações de mitigação até agora não são suficientes.

