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Família de Moïse está sem acesso ao inquérito policial, afirma OAB-RJ

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - A família do congolês Moïse Kabagambe, 24, afirma que está sem acesso ao inquérito que investiga a morte do jovem, conduzido pela DH (Delegacia de Homicídios da Capital). O crime aconteceu na noite de 24 de janeiro no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

A mãe e os irmãos de Moïse estão sendo representados legalmente por Rodrigo Mondego, procurador da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ. Em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (3), Mondego lamentou a falta de informações mais detalhadas e disse ver uma tentativa dos suspeitos de "justificar a barbárie".

"A família foi muito bem tratada, mas existe hoje uma definição [da Polícia Civil] para que o inquérito fique sob sigilo. Só que o sigilo é só para família. Todos os depoimentos a gente só tomou conhecimento pela mídia", afirmou o advogado.

Ele afirma que não teve acesso oficialmente aos depoimentos de testemunhas ou ao vídeo que mostra o espancamento do congolês.

"É muito difícil atuar em situação de violência quando a pessoa menos priorizada é a família da vítima, que é a maior interessada na resolução do inquérito", diz o defensor.

Procurada, a Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento e o inquérito segue sob sigilo.

Mondego apontou também que há uma tentativa de justificar a morte de Moïse, de acordo com os depoimentos dos suspeitos publicados pela imprensa.

"Há uma tentativa de criminalizar e desqualificar a vítima para justificar a barbárie. Sempre tentando colocar algo que a vítima fez e indicando que ela gerou a própria violência. Ficamos estarrecidos", diz o advogado.

Na tarde de hoje, a mãe e os irmãos de Moïse foram recebidos pela deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) participou do encontro, que contou com breve presença do presidente da Alerj, André Ceciliano (PT). Freixo representou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Lotsove Lolo Lavy Ivone, 43, mãe de Moïse, agradeceu aos parlamentares e ressaltou que os dias têm sido difíceis.

Um dos irmãos de Moïse afirmou que a família não está pensando no momento em sair do Brasil ou do Rio de Janeiro. O foco agora, diz ele, é entender todos os aspectos que envolveram a morte do congolês.

Dani Monteiro afirmou que a comissão age principalmente no suporte psicológico às famílias, já que a OAB-RJ faz o atendimento jurídico. Junto com Freixo, a deputada não descartou a possibilidade de uma proteção para a família.

"A gente quer que toda a decisão que a família tome seja feita com segurança", afirmou a deputada.

A Justiça do Rio de Janeiro manteve na tarde de hoje a prisão temporária dos três presos que assumem ser os homens flagrados em vídeos espancando o congolês até a morte.

Fábio Pirineus da Silva, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca e Brendon Alexander Luz da Silva foram ouvidos em salas separadas na Central de Audiência de Custódia de Benfica, na zona norte da capital fluminense.

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