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Ex-ministro da Saúde diz ver fratura entre 'irresponsáveis' e técnicos da Saúde

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para o médico José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde, as decisões que serão tomadas a partir de agora vão definir a quantidade de mortos nas próximas semanas. Ele afirma que a esperança é que o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, consiga manter uma equipe técnica robusta, reitere as medidas de isolamento social seguindo as estratégias da gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta e consiga o mínimo de autonomia em relação ao presidente Bolsonaro. "Se ele fez algum acordo, se mudar de postura e tentar alguma solução heterodoxa, alguma flexibilização do retorno ao trabalho, teremos um resultado dramático em número de casos e e mortes e entraremos em colapso." Para ele, existe hoje uma fratura no país, de um lado os que, como Mandetta, têm uma visão técnica, baseada em evidência, seguindo as diretrizes da OMS (Organização Mundial da Saúde) e o que acontece no resto do mundo, e a postura "irresponsável" de Bolsonaro, que vai contra isso tudo, criando um clima de muita insegurança na sociedade. Na opinião de Temporão, Mandetta sai com um legado de ter sido muito hábil , coerente e com postura centrada na ciência e fez bem deixar claro que sua a posição não tinha a ver com a posição do presidente. Para ele, Bolsonaro usa de falso argumento ao colocar a economia tão importante quanto à saúde no sentido de salvar vidas. "O governo precisa fazer uma revisão total sobre economia." Quanto ao novo ministro, Temporão diz que, embora tenha especialização no Inca (Instituto Nacional de Câncer), ele vem do mercado privado, não tem experiência no SUS. "Esperamos que ele ampare sua conduta observando os princípios da ciência e do conhecimento. Seria muito inusitado ver um ministro da saúde aderir a um discurso que faça contraponto ao que Mandetta vinha defendendo." Para ele, políticas social, econômica e de saúde tinham que estar caminhando de uma maneira integrada e harmônica, como vários países, entre eles França, Portugal, Espanha, Reino Unido e Alemanha, estão fazendo.

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