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Empresários temem desapropriações de galpões na Mooca para nova linha do metrô de SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de empresários do tradicional bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, tem pressionado o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) a mudar os planos de construir um pátio de manutenção da futura linha 16-violeta do metrô na região da avenida Henry Ford.

Entre 40 e 60 imóveis industriais, comerciais e de prestadores de serviços da avenida e vias adjacentes constam em um estudo de desapropriação do projeto de concessão do ramal metroviário e foi apresentado no início do mês durante audiência pública.

Ao todo, o entorno do planejado pátio de trens conta com cerca de 220 empresas instaladas, segundo representantes do setor.

Com 19 km de extensão, a linha 16-violeta terá ao todo 16 estações, ligando as zonas oeste e leste. O ramal deve ser construído por meio de uma parceria público-privada orçada em R$ 37,5 bilhões.

De acordo com a Secretaria de Parcerias em Investimentos, o pregão de concessão está previsto para o segundo trimestre de 2026 e a assinatura de contrato deve ocorrer ainda no próximo ano. A expectativa é de transportar, em média, 475 mil passageiros por dia até 2040.

Quando pronto, o ramal partirá da rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, onde deverá se conectar com as futuras linhas 20-rosa e 22-marrom, à região da avenida Vereador Abel Ferreira, na zona leste.

O projeto preliminar foi feito pela empreiteira espanhola Acciona, responsável pela construção e operação da linha 6-laranja, que nos planos de expansão do governo vai se conectar com a 16-violeta na estação São Carlos, próximo do pátio que poderá ocupar parte da avenida Henry Ford.

"Ficamos surpresos [com a possibilidade de desapropriação] porque estamos falando de um dos maiores polos industriais e comerciais da cidade", afirma Anderson Festa, presidente da Associação Avenida Henry Ford Mooca & Região. Apesar das desconfianças antigas, o grupo diz ter sido informado oficialmente dos planos que podem atingir os imóveis na audiência pública do último dia 7.

Em nota, a Secretaria de Parcerias em Investimentos afirma que projeto da linha 16-violeta está em fase de consulta pública até 7 de novembro. Durante esse período, explica, qualquer pessoa, empresa ou entidade pode encaminhar contribuições e sugestões sobre a iniciativa, inclusive quanto a alternativas de traçado ou de localização de estruturas operacionais, como o pátio de manutenção.

"Todas as manifestações recebidas são analisadas pela equipe técnica e poderão ser incorporadas à versão final do edital da futura concessão", diz trecho do texto.

Questionada sobre a localização do pátio nas imediações da avenida Henry Ford, a pasta não respondeu.

Anderson Festa reforça que os empresários não são contra a passagem do metrô pela Mooca, que promete facilitar o deslocamento até de quem trabalha na Henry Ford. "Mas a desapropriação vai causar grandes transtornos para empresas com décadas de história", diz.

Segundo ele, essas desapropriações podem afetar aproximadamente 15 mil empregos diretos.

A associação afirma ter apresentado duas sugestões de potenciais locais para a transferência do futuro pátio do projeto original.

Uma delas, do governo federal, fica próxima ao viaduto São Carlos, atualmente ocupada pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). A outra é uma área de 89 mil m² nas imediações, que estaria desocupada.

Na audiência pública, o empresário disse ter sido informado de que a área havia sido classificada com potencial de contaminação.

A secretaria foi questionada qual material poderia estar contaminado e se ele foi identificado em sondagens, mas não respondeu.

Na nota, a pasta da gestão Tarcísio, responsável por processos de concessão, afirma que a linha ampliará a mobilidade e a integração metropolitana, interligando diferentes regiões e gerando empregos qualificados nas fases de construção e operação.

"O governo do estado de São Paulo mantém diálogo permanente com os setores envolvidos e cumpre rigorosamente os princípios de transparência e participação social", diz.

De acordo com o empresário, entidades de classes da indústria e comércio, e sindicatos estão sendo procurados pela associação para encorpar a pressão contra as possíveis desapropriações. "Já há um clima de tensão, com paralisação em investimentos e medo de demissões", diz Festa.

Com seus enormes galpões, a Henry Ford não leva o nome do fundador da montadora norte-americana por acaso -a antiga avenida Um, aliás, acabou renomeada a partir de uma lei municipal de 1953.

Em um enorme quarteirão dessa avenida a Ford ergueu uma de suas fábricas em São Paulo. Lá, na década de 1950, acabou montado o primeiro caminhão da empresa no Brasil, o F-600.

Também foi na "Ford do Ipiranga", como o local era chamado, que nasceu o luxuoso Galaxie, em 1967. Atualmente há um shopping center no lugar.

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