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'Ele falava baixinho ao meu ouvido', diz mulher que denunciou anestesista preso no RJ

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Duas mulheres foram com bebês de colo à Delegacia de Atendimento à Mulher de São João de Meriti, no Rio de Janeiro, nesta terça (12) para prestar queixa contra o anestesista Giovanni Quintella Bezerra, preso e indiciado por estupro nesta segunda (11).

À imprensa elas relataram histórias semelhantes de procedimentos incomuns do médico. Disseram que ele as sedou completamente, deixando-as inconscientes, e pediu que companheiros deixassem a sala de parto após o nascimento dos seus filhos.

A Polícia Civil investiga no total seis casos: o dessas duas mulheres e de mais uma que procurou a delegacia nesta segunda, o da paciente que aparece na filmagem gravada por funcionários no domingo (10) e o de outras duas grávidas anestesiadas por ele naquele mesmo dia.

A técnica em radiologia Naiane Guedes, 30, que permitiu que a fotografassem e disse que espera encorajar outras possíveis vítimas a denunciar, afirmou que "o tempo todo ele falava baixinho" perto do seu ouvido, o que a incomodou.

Ela conta que já estava se sentindo lerda quando comentou sobre uma forte dor nas costas e o médico respondeu que, para atenuar essa dor, precisaria sedá-la. Depois não se lembra de mais nada.

"Eu fiquei completamente dopada e estranhei esse comportamento. Após ver as imagens dele eu me desesperei por conta do caso ser atípico e resolvi procurar a delegacia, porque até quando eu começo a recobrar a consciência eu só escuto a voz dele no centro cirúrgico", afirmou.

"E um fato marcante também é que o tempo todo ele falava baixinho ao meu ouvido. [Perguntava] se eu estava me sentindo bem. [...] Ele sempre falava muito próximo do meu ouvido, e isso me incomodou bastante", completou ela, que já fez outras duas cesáreas em que isso não aconteceu.

Ela deu à luz no dia 5 de junho no Hospital da Mãe, em Mesquita (Baixada Fluminense), uma das unidades em que o médico atendia. Seu marido, Rafael de Oliveira, 28, também técnico em radiologia, afirmou que viu o parto com a esposa ainda consciente, mas depois Bezerra o pediu para sair da sala de parto.

"A gente não tem segurança nem no nosso momento mais feliz. A gente entrega a nossa vida ali, a gente acredita naquelas pessoas que podem cuidar da gente e estamos sujeitas a um estuprador", disse Naiane na porta da delegacia.

A segunda vítima que procurou a unidade para prestar depoimento nesta terça não quis ter o nome ou a imagem divulgada, mas relatou o mesmo padrão nos atos do médico. Disse que chegou ao hospital para um parto de emergência e que o anestesista a informou que ela seria sedada, mas que estava tudo bem.

A mulher contou que, quando acordou, pelo que lembra, o médico estava limpando as mãos ou tirando a luva. Ela também já havia passado por uma cesárea, por isso estranhou o procedimento. Depois da prisão de Bezerra, ela afirma que tem se questionado se foi abusada.

Uma terceira mulher, de 23 anos, já havia se apresentado na delegacia na segunda-feira, dizendo ter sido vítima do médico durante uma cesárea realizada no mesmo hospital, no dia 6 de julho. A mãe afirmou à polícia que a filha saiu totalmente dopada do procedimento e acordou apenas no dia seguinte à noite.

Ainda segundo ela, a jovem acordou com uma substância branca no pescoço. Inicialmente, a mãe achou que era resultado de algum procedimento médico, mas quando assistiu ao noticiário e viu que o médico havia sido preso, concluiu que sua filha também havia sofrido um estupro.

A polícia suspeita que Bezerra usava sedativos em excesso para abusar das mulheres, por isso colheu frascos. Se a polícia comprovar que isso aconteceu, o suspeito pode ser responsabilizado por outros crimes. "Aí vamos avaliar qual seria o tipo penal", disse a delegada Barbara Lomba, responsável pelo caso.

Nesta terça, a Justiça do RJ converteu a prisão em flagrante do anestesista em preventiva, com prazo de 90 dias prorrogáveis, e decidiu que ele seria levado para a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8, que abriga detentos com nível superior como Jairinho.

A Folha apurou que ele estava acompanhado de um advogado na audiência de custódia, mas sua defesa ainda não se apresentou publicamente. Ele ficou em silêncio em depoimento à Delegacia de Atendimento à Mulher de São João de Meriti.

O advogado Hugo Novais chegou a assumir o caso, mas desistiu no fim da tarde desta segunda. Antes, ele havia dito que só manifestaria sobre a acusação após ter acesso aos depoimentos e provas apresentados na audiência de custódia.

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