Da COP1 à COP30: Relembre como foram as conferências climáticas
SÃO PAULO, SP, E BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - A COP30 será realizada de 10 a 21 de novembro, em Belém, no Pará, e já começa a atrair o interesse do público. Dados do Google Trends mostram que, nesta semana, houve um pico de buscas relacionadas ao evento.
O Brasil é um velho conhecido de conferências climáticas. Em 1992, hospedou, no Rio de Janeiro, a Eco-92, também conhecida como Rio-92. Mais de 20 anos depois, em 2015, durante a COP21, foi firmado o Acordo de Paris. À época, o mundo caminhava para um aquecimento de cerca de 4°C. Hoje, graças às metas de redução de emissões assumidas por diversos países, essa projeção está em torno de 2,6°C.
Com a COP30 se aproximando e as expectativas sobre o protagonismo brasileiro nas negociações climáticas, relembre onde ocorreram e o que foi decidido nas conferências anteriores.
O texto usou como fontes reportagens da Folha, o trabalho "A Brief History of the United Nations Climate Change Conferences: COPs 1-27", do Mossavar-Rahmani Center for Business & Government
Harvard Kennedy School, além do site da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change; em português, Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima).
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RIO-92/ECO-92, 1992 NO RIO DE JANEIRO (BRASIL)
Abertura para assinatura, pelas nações, da UNFCCC, responsável pelas conferências climáticas atuais.
COP1, 1995 EM BERLIM (ALEMANHA)
Países signatários da UNFCCC concordam em ter comunicações que detalham medidas para limitar emissões, objetivando um esforço global coordenado.
COP2, 1996 EM GENEBRA (SUÍÇA)
Países concordam em trabalhos para o estabelecimento de metas obrigatórias de limitação de emissões para nações industrializadas. Discursos apontavam para possível importância da reunião em Kyoto, no ano seguinte.
COP3, 1997 EM KYOTO (JAPÃO)
Foi assinado o Protocolo de Kyoto, que definiu metas de redução de gases-estufa para os países desenvolvidos, principais emissores de gases de efeito estufa.
COP4, 1998 EM BUENOS AIRES (ARGENTINA)
Adotou o Buenos Aires Action Plan, um plano de ação para fortalecer o Protocolo de Kyoto.
COP5, 1999 EM BONN (ALEMANHA)
É tida como uma conferência mais técnica, com nações fazendo preparações, em relação ao Buenos Aires Action Plan, para a COP6. Também houve novas resoluções sobre como países poderiam trabalhar junto ao IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) para medir e relatar gases-estufa.
AS DUAS COP6, 2000 EM HAIA (HOLANDA)
Uma COP que foi dividida em duas. A primeira parte dela, em Haia, terminou sem acordo entre os países. Os Estados Unidos insistiram em incluir as florestas como sumidouros de carbono, sem realmente reduzir suas emissões. Tal flexibidade recebia a oposição de outros países, especialmente da Europa, que questionava o possível impacto dessa forma de contabilização de emissões. Isso travou totalmente as negociações.
Em julho do ano seguinte, as negociações foram retomadas em Bonn, na Alemanha. Nesse caso, os EUA foram só observadores, não participando, portanto, das negociações. No fim, todas as nações concordaram com a implementação do Protocolo de Kyoto, menos os EUA.
COP7, 2001 EM MARRAKECH (MARROCOS)
A ideia era avançar com o Protocolo de Kyoto. Por isso mesmo, mais uma vez, os EUA não participaram das negociações. Mesmo assim, outras nações, como Rússia, Japão, Canadá e Austrália, mantiveram posições sobre os sumidouros de carbono. Ao fim, houve operacionalização do protocolo, mas o acordo só refina o já decidido, naquele mesmo ano em Bonn.
Neste ano, o republicano George W. Bush retirou os EUA da lista de signatários o democrata Bill Clinton chegou a assinar a adesão, mas a ratificação não foi aprovada pelo Senado.
COP8, 2002 EM NOVA DELHI (ÍNDIA)
Rússia, um dos grandes emissores de poluentes, permanecia sem ratificar o Protocolo de Kyoto. COP8 não avança na implementação do Protocolo de Kyoto.
Focada em solidificar as bases técnicas, legais e processuais para que o protocolo pudesse entrar em vigor.
COP9, 2003 EM MILÃO (ITÁLIA)
Esforços da União Europeia para dar prosseguimento ao Protocolo de Kyoto, apesar da não ratificação por Rússia e EUA sem os dois grandes poluidores, o acordo não tinha como ir para frente.
As negociações se concentraram na criação de dois fundos, um para países em desenvolvimento, outro para as nações mais pobres para auxiliar na adaptação das mudanças climáticas.
COP10, 2004 EM BUENOS AIRES (ARGENTINA)
Pouco avanço em relação a ações reais relacionadas ao Protocolo de Kyoto, apesar da ratificação da Rússia. Houve, porém, avanço no debate sobre adaptação, algo que não tinha sido tratado em COPs anteriores.
COP11, 2005 EM MONTREAL (CANADÁ)
No começo daquele ano, após a ratificação da Rússia, o Protocolo de Kyoto entrou em ação.
Os países signatários do protocolo concordaram em ampliar as restrições às suas emissões para além de 2012, data original de expiração do tratado. A conferência também foi marcada por um acordo com os Estados Unidos, que aceitou retomar o diálogo e participar das discussões futuras.
COP12, 2006 EM NAIROBI (QUÊNIA)
O Brasil reviu sua posição e aceitou discutir metas para o período pós-Kyoto. Até então, o país sustentava que não entraria em novas negociações enquanto as nações desenvolvidas não cumprissem as metas de redução de gases de efeito estufa.
COP13, 2007 EM BALI (INDONÉSIA)
Produziu o Mapa do Caminho de Bali, que previu dois anos de negociações para ampliar o Protocolo de Kyoto e definir metas para países não signatários, como a China.
COP14, 2008 EM POZNAN (POLÔNIA)
O único avanço foi chegar a um consenso sobre o funcionamento do fundo de adaptação às mudanças climáticas, cujos recursos seriam usados para apoiar projetos de países vulneráveis que sofrem as consequências do aquecimento global.
COP15, 2009 EM COPENHAGUE (DINAMARCA)
Fracassou ao tentar produzir um acordo das negociações iniciadas em Bali, pois EUA e China recusaram compromissos obrigatórios com ações e metas defendidos pela Europa.
COP16, 2010 EM CANCÚN (MÉXICO)
Foi criado o Fundo Verde do Clima, principal mecanismo de financiamento climático. Foram formalizados compromissos assumidos em Copenhague, como o de que as metas cabem não só a países desenvolvidos, mas também a emergentes. Também ficou definido o objetivo de manter o aquecimento em no máximo 2ºC acima da temperatura da era pré-industrial.
COP17, 2011 EM DURBAN (ÁFRICA DO SUL)
Produziu o maior avanço nas negociações desde o Protocolo de Kyoto ao formalizar a necessidade de um acordo universal, com metras obrigatórias de corte de emissões de gases de efeito estufa para todos os países.
COP18, 2012 EM DOHA (CATAR)
Foi lançado um mecanismo internacional de perdas e danos, que compensaria países mais vulneráveis pelos impactos das mudanças climáticas aos quais não é mais possível se adaptar. Foi feito o REDD+, um mecanismo que remunera por conservação ambiental.
COP19, 2013 EM VARSÓVIA (POLÔNIA)
O acordo de Kyoto foi estendido até 2020.
COP20, 2014 EM LIMA (PERU)
Foram discutidos os elementos do futuro Acordo de Paris.
COP21, 2015 EM PARIS (FRANÇA)
Foi firmado o Acordo de Paris, que pela primeira vez levou todos os países signatários a assumirem compromissos de combate às mudanças climáticas antes, apenas as nações desenvolvidas tinham obrigações desse tipo.
COP22, 2016 EM MARRAKECH (MARROCOS)
Os países começaram a definir as regras de implantação do Acordo de Paris, mas a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos e o subsequente desmonte da política ambientalista americana colocou os compromissos sob ameaça.
COP23, 2017 EM BONN (ALEMANHA)
Terminou com alguns avanços, mas deixou grandes decisões para a COP seguinte. Finalmente, olhou-se com mais atenção para a relação dos oceanos com a crise climática.
COP24, 2018 EM KATOWICE (POLÔNIA)
Foram definidas as regras de comunicação e prestação de contas do Acordo de Paris, bem como o alinhamento dos investimentos e a inclusão do tema de perdas e danos, referente aos impactos das mudanças climáticas.
COP25, 2019 EM MADRI (ESPANHA)
O Brasil bloqueou um acordo sobre o mercado de carbono, além de ter impedido menções a oceanos e direitos humanos em textos discutidos.
COP26, 2021 EM GLASGOW (ESCÓCIA)
Começa a ideia de se manter vivo o 1,5°C.
Texto final fala em reduzir ao invés de eliminar o consumo de carvão, um dos principais emissores de gases estufa, e os subsídios para combustíveis fósseis ineficientes.
O documento final também menciona perdas e danos, tema caro para países em desenvolvimento já sendo fortemente afetados pela crise climática, a serem discutidos em COPs futuras.
COP27, 2022 EM SHARM EL-SHEIKH (EGITO)
Os países concordaram com a criação de um fundo para a reparação de perdas e danos climáticos e a criação de um fundo destinado apenas aos países particularmente vulneráveis.
COP28, 2023 EM DUBAI (EMIRADOS ÁRABES)
Foi aprovada a transição para a redução global do uso de combustíveis fósseis para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.
COP29, 2024 EM BAKU (AZERBAIJÃO)
Foi estabelecida uma nova meta global de financiamento climático de US$ 300 bilhões anuais, valor bem abaixo dos US$ 1,3 trilhão por ano reivindicados pelos países em desenvolvimento.
COP30, 2025 EM BELÉM (BRASIL)
Conferência teve início em meio ao enterro declarado da meta de aumento de temperatura de até 1,5°C.
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