BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - O papel dos afrodescendentes, como os quilombolas brasileiros, na mitigação das mudanças climáticas foi oficialmente reconhecido pela primeira vez na conferência da ONU sobre o clima.
A menção inédita, uma prioridade da presidência brasileira, foi feita até o momento nos textos de transição justa, gênero e adaptação. Tudo indica que saia também no mutirão, pacote de principais decisões da COP30.
A ofensiva para a inclusão do grupo político na discussão climática começou no ano passado, na COP16, da biodiversidade, em Cali (Colômbia). Na conferência, houve a primeira citação a afrodescendentes em relação à conservação e uso sustentável da natureza.
Em relação à mudança climática, porém, essa foi a primeira vez que o termo sequer entrou no rascunho dos documentos oficiais das negociações.
A Colômbia liderou a pressão pela citação e outros países da América Latina, como México e Uruguai, vocalizaram apoio nas salas de negociação. No dia da Consciência Negra, o Brasil organizou uma reunião com ministros de diferentes países para defender a inclusão do termo.
"O espaço da UNFCCC ainda é muito resistente a incorporar linguagens que fortaleçam direitos humanos; por isso, as menções no texto de Transição Justa e no Plano de Ação de Gênero ajudam a ampliar e aprofundar esse debate daqui em diante", diz Mariana Belmont, assessora de clima e racismo ambiental do Geledés.
No tema da adaptação, diz, a inclusão de afrodescendentes garante visibilidade nos planos nacionais e contribui para a proteção dos territórios.


