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Com medo, família de Moïse desiste de administrar quiosque onde ele foi morto

RIO DE JANEIRO , RJ (FOLHAPRESS) - A família de Moïse Mugenyi Kabagambe, 24, desistiu de assumir a concessão dos quiosques onde o congolês foi espancado e morto no dia 24 de janeiro, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A informação foi adiantada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem.

Segundo o advogado Rodrigo Mondego, da comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, os familiares estão com medo, principalmente desde que o responsável pela concessão de um dos quiosques disse que não sairia de lá.

"A partir daí a família ficou com muito medo. Eles não querem mais conflito com ninguém", afirma.

Como o jornal Folha de S.Paulo noticiou, parentes de Moïse disseram que se sentiram intimidados por dois policiais militares que os abordaram após o crime em duas ocasiões, relato que está sendo apurado pela Corregedoria da Polícia Militar.

No dia 7 de fevereiro, familiares do congolês e a Prefeitura do Rio formalizaram um termo de compromisso para que eles pudessem administrar os quiosques Tropicália e Biruta, onde Moïse foi morto, sem pagar aluguel até fevereiro de 2030.

A cessão do Biruta ainda dependeria de pendências na Justiça --a concessionária Orla Rio, responsável pelos estabelecimentos, teria que retomar a posse do lugar, que foi cedido pelo operador original a terceiros. Quem o administrava era um policial militar e sua irmã, segundo os funcionários afirmaram à polícia.

Um dos três presos temporariamente pelo homicídio, Aleson Cristiano Fonseca, trabalhava ali. Já Brendon Alexander Luz da Silva era funcionário da Barraca do Juninho, em frente aos quiosques e também gerida pelo policial. O terceiro preso, Fabio Pirineus da Silva, vendia caipirinhas na areia.

A ideia seria que os dois quiosques fossem transformados em uma espécie de memorial em homenagem à cultura africana, incluindo um painel com uma foto do jovem morto.

Mondego afirma que a família desistiu de administrar os dois quiosques na Barra da Tijuca, mas está aberta a alternativas. "Eles topariam, inclusive, [assumir] algum outro quiosque. Sabemos que existem quiosques vazios na zona sul", diz.

O objetivo dos familiares, segundo o advogado, é marcar uma reunião com a prefeitura e a Orla Rio na próxima segunda-feira (14) para discutir outras possibilidades.

Com medo após as ameaças, parentes de Moïse têm recebido ajuda de algumas organizações para garantir a própria segurança. Eles precisaram, por exemplo, se mudar do local onde moravam. Por enquanto, porém, ainda não recebem proteção oficial do governo do estado.

A pasta de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos disse que os familiares poderiam entrar no programa Provita, que visa a proteger vítimas ou testemunhas de ameaças. Mondego afirma, no entanto, que os parentes do congolês resistem à ideia porque teriam que cortar laços com a comunidade.

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