Uma expedição de cientistas do Reino Unido e da Indonésia encontrou uma flor raríssima, a Rafflesia hasseltii, começando a abrir em uma área de floresta de Sumatra Ocidental, província da Indonésia. A descoberta encerrou uma busca de mais de uma década e emocionou um pesquisador que esperava por esse momento havia 13 anos.
Equipes localizaram uma Rafflesia hasseltii prestes a florescer em Sumatra. O grupo chegou ao local após mais de 20 horas de viagem desde Bengkulu, em uma região sem sinal de celular. A descoberta ocorreu em uma área monitorada por agentes florestais, segundo relataram à BBC.
Busca fazia parte de um estudo sobre espécies ancestrais da flor. Pesquisadores de Oxford e da Agência Nacional de Pesquisa e Inovação da Indonésia investigam 42 espécies de Rafflesia no Sudeste Asiático. A localização da planta foi considerada um "bônus" da expedição, que coleta dados para traçar a origem e o parentesco da espécie.
Um pesquisador chorou ao ver a planta pela primeira vez. O observador de Rafflesias Septian Andriki, conhecido como Deki, esperava há 13 anos para encontrar a flor. Ele disse à BBC que partiu "praticamente apostando" que ela estaria aberta e se emocionou ao notar o início da floração ao anoitecer.
A flor começou a abrir no escuro, surpreendendo a equipe. Inicialmente, eles acharam que não veriam o desabrochar. Mas um guia local percebeu uma pequena abertura na borda da planta -o início do processo de floração, que avançou durante a noite.
A espécie é considerada extremamente rara e difícil de encontrar. O professor Agus Susatya disse à BBC que a Rafflesia hasseltii é "uma das mais bonitas". Ela apresenta manchas brancas maiores, cor vermelho-arroxeada e pode chegar a 70 cm de diâmetro.
A presença da flor indica que a floresta ainda está saudável. A planta não pode ser transplantada e só vive no ambiente original.
Especialista defende foco na preservação do ecossistema, não só da flor. Agus alertou que conservar apenas espécies isoladas não é suficiente. Ele afirma que a proteção deve contemplar toda a floresta, e comunidades locais podem se beneficiar do ecoturismo em vez de mineração ou agricultura invasiva.
A expedição busca mapear a origem genética da Rafflesia. Os estudos envolvem sequenciamento em supercomputadores para comparar populações da Indonésia, Malásia, Filipinas e possivelmente do sul da Tailândia. Novas viagens ocorrerão, incluindo uma para Kalimantan Ocidental.
Ainda há muitos mistérios sobre a reprodução da planta. Pesquisadores tentam entender como as sementes entram no hospedeiro e por que flores femininas são tão raras. Para Agus, a Rafflesia segue sendo "um enigma da ciência".

