GUARUJÁ E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O temporal que atingiu a Baixada Santista, entre a noite de segunda-feira (2) e a madrugada desta terça (3), matou ao menos 16 pessoas, deixou outras 32 desaparecidas e causou muitos estragos. A região chegou a registrar 46 desaparecidos. Esse número caiu no final da tarde porque as pessoas tidas como sumidas foram encontradas com vida horas depois. Até as 18h, as equipes de resgate contabilizavam 14 mortes em Guarujá, 1 em Santos e 1 em São Vicente. Guarujá e São Vicente decretaram estado de calamidade pública e suspenderam as aulas nas suas escolas até que os problemas estruturais causados pela chuva sejam resolvidos. Entre os mortos em Guarujá está um bombeiro. Ele morreu soterrado no Morro do Macaco Molhado no momento em que tentava salvar um bebê e a mãe dele, que estavam sob uma montanha de lama e pedra. Mãe e filho não resistiram e morreram, e o bombeiro perdeu a vida após uma segunda movimentação de terra. Outro profissional da corporação também foi soterrado na encosta do morro e permanecia desaparecido até o início da noite. As chuvas devem continuar nos próximos dias na Baixada Santista, ao menos até sábado, segundo informações da Climatempo. De acordo com o Núcleo de Gerenciamento de Emergência da Defesa Civil do Estado, até as 4h dessa terça (3), o acumulado de chuvas em 12 horas era de 282 mm em Guarujá; 218 mm em Santos; 170 mm em Praia Grande; 169 mm em São Vicente; 160 mm em Mongaguá; 132 mm em Cubatão; e 110 mm em Bertioga. Segundo Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros, cerca de 114 homens da corporação foram mobilizados para as buscas em oito áreas com registros de deslizamentos de terra na região. "O terreno está muito encharcado e pode haver novos deslizamentos de terra. O local é muito perigoso, mas as equipes continuam na execução dos trabalhos e na busca de vítimas", afirmou Palumbo. O governador João Doria (PSDB) disse ter acompanhado as operações de resgate desde o início da manhã no Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil de São Paulo antes de se dirigir à região. Ele também sobrevoou as áreas que registraram inundações e deslizamentos de terra. Pelas redes sociais, o governador lamentou as mortes causadas pelas chuvas. "Minha solidariedade aos moradores da Baixada Santista que sofrem com as fortes chuvas desde ontem. Temos um herói do Corpo de Bombeiros entre as vítimas", escreveu ele nas redes sociais No início da tarde, o governador sobrevoou a região. Em entrevista na Prefeitura de Santos, Doria se disse chocado com o volume de terra dos desabamentos. "Fiquei bastante chocado com o volume de terra, com os desabamentos. Isso me impressiona muito e teremos chuvas até quinta-feira, de acordo com a meteorologia, Então as pessoas tem que aceitar as orientações e saírem imediatamente de suas casas para pontos provisórios ou, se não, aos abrigos." PROBLEMAS NO TRÂNSITO Além dos deslizamentos, a chuva causou problemas nas rodovias Anchieta, Cônego Domênico Rangoni e Doutor Manuel Hipólito Rego, que ligam a capital ao litoral. Até as 19h20, a Anchieta permanecia bloqueada desde a noite de segunda, no sentido capital, devido à queda de uma barreira no km 45. A subida da serra era realizada apenas pela Imigrantes. O VLT da Baixada Santista entre Santos e São Vicente teve sua operação paralisada na manhã desta terça por causa de um deslizamento de terra perto do túnel que faz a ligação entre as duas cidades. Já o sistema de balsas não foi afetado. Em Santos, a Defesa Civil informou que atendeu pouco mais de 120 chamados todos em morros da cidade. A chuva provocou deslizamentos nos morros de Santa Maria, São Bento, Vila Progresso e Monte Serrat. Em entrevista à rádio CBN, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), disse que Santos e região enfrentaram uma chuva acima da média. "Foi uma chuva desproporcional, bastante intensa". A prioridade, disse ele, é o atendimento às vítimas. "Principalmente nos morros, que foram mais impactados com obstrução de vias e escorregamentos". A Prefeitura de Santos informou que a Vila Criativa, na Vila Progresso, a quadra da escola de samba União Imperial, no Marapé, e a escola Therezinha Maria Calçada Bastos, no bairro São Bento, estão recebendo moradores desabrigados.