Mônica Sousa, filha do quadrinista Mauricio de Sousa, recorreu às redes sociais para sanar uma dúvida dos fãs da Turma da Mônica sobre Cascão. A empresária explicou a origem do personagem que não gosta de tomar banho e negou que ele seja negro.
Segundo Mônica, seu pai nunca desenhou Cascão para que ele fosse negro, e a aparência de seu cabelo é, na verdade, de um cabelo sujo, e não de um cabelo crespo. Ela conta que a criança que inspirou o personagem era um menino de origem humilde e que vivia uma fase de não gostar muito de água.
"Segundo meu pai, Mauricio de Sousa, a criança que inspirou o Cascão era um menino mais humilde e não tinha água encanada em sua casa", relatou Mônica, em publicação no Instagram. "A água era de poço e dependia de um adulto para pegar a água, e o garoto também estava em uma fase em que não gostava muito do banho. Sendo assim, seu cabelo ficava tão sujo que ficava duro."
Polêmica ressurgida
O assunto sobre a etnia de Cascão, já debatido em outras ocasiões, reapareceu nas redes sociais nesta semana graças a um corte viralizado do podcast Central Cast , em que a historiadora e artista plástica Cris Soares fala sobre a pesquisa de identidade racial que fez para o doutorado, a partir do personagem.
No vídeo, Cris relata que ficou revoltada com Maurício de Sousa quando o quadrinista falou pela primeira vez que Cascão era branco e o cabelo dele era sujo. "Eu peguei ódio mortal do Mauricio. Eu falei: 'Caramba, ele está chamando nosso cabelo crespo de sujo... tá bom, agora eu vou te destruir na pesquisa'", recorda.
No entanto, durante suas pesquisas, Cris descobriu que as explicações de Maurício eram condizentes. Ela relata que começou a adquirir os primeiros gibis com a presença de Cascão, criado em 1961, e descobriu que o cabelo do personagem era diferente nas primeiras artes.
"A primeira impressão do Cascão, realmente o cabelo dele não era crespo. Era um cabelo liso espetado. Então, [Mauricio] não estava mentindo. Ele não criou um personagem negro."
A verdadeira origem
A historiadora diz que descobriu, ainda durante a pesquisa, que a mudança de Cascão veio mais tarde. O responsável pelo cabelo do personagem como o conhecemos hoje foi o arte-finalista Sérgio Tibúrcio Graciano (1936-2019), que usou sua própria digital para fazer, com uma espécie de "borrão de tinta", o cabelo com aspecto endurecido que se tornou o oficial.
Em nota oficial lamentando a morte de Graciano, em 2019, a própria MSP recordou o feito.
"E quando se fala em marca pessoal, não é exagero. Sua digital, como um carimbo, virou cabelo do Cascão para facilitar a produção do desenho que era feito com caneta. Graciano dizia brincando que foi a primeira arte 'digital' do estúdio. Mauricio gostou da inovação e aprovou a ideia. Cascão nunca mais foi o mesmo. Graciano inventou a técnica por acaso e é usada até hoje", destacou o estúdio.
Ainda durante a entrevista ao podcast, Cris conta que a pesquisa foi para outro lugar após a descoberta sobre a participação de Graciano, um homem negro, na criação do cabelo de Cascão. Em outros quadrinhos da Turma da Mônica, Cascão chega a aparecer cortando o cabelo em um salão, com um cabeleireiro negro chamado Graciano. O artista também foi homenageado com outro personagem: o avô materno de Jeremias, que leva o seu nome.



