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Brasileira que processa MrBeast mostra reunião em trabalho de parto

Estadão

Lorrayne Mavromatis, influenciadora brasileira que processa MrBeast, maior youtuber do mundo, por assédio e discriminação, voltou a falar sobre o caso nesta sexta-feira, 1º. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Lorrayne rebateu a alegação de "distorção" feita pela empresa do youtuber, a Beast Industries, e mostrou ter feito uma reunião enquanto estava em trabalho de parto.

No último dia 24, a empresa negou todas as acusações de assédio sexual, retaliação e ambiente de trabalho hostil feitas pela brasileira. A Beast Industries ainda classificou a ação como uma tentativa de obter ganhos financeiros e visibilidade.

Lorrayne acusou a empresa de publicar mensagens suas com ex-colegas "completamente fora de contexto". Ela rebateu um argumento da Beast Industries de que teria pedido para fazer uma gravação com Neymar Jr no Brasil voluntariamente.

"Esse projeto nem era do meu departamento. Era uma gravação para o canal principal do YouTube e eu estava trabalhando no departamento de merchandise", afirmou. Lorrayne ainda disse ter sido colocada para lidar com demandas de "alto nível".

"Eu sabia que, se essa filmagem falhasse, a culpa cairia toda em mim", comentou. À época, a influenciadora estava de licença-maternidade. Ela disse ter recebido uma mensagem afirmando que sua presença para a gravação com Neymar no Brasil seria "inestimável".

Lorrayne ainda disse que não era a primeira vez que a empresa lhe pediu para que trabalhasse durante a licença-maternidade. Uma semana depois de deixar o hospital, ela disse que já estava recebendo mensagens, ligações e tarefas do trabalho.

"A pressão e a quantidade de trabalho que eu estava recebendo era tanta que o RH teve que alterar o que seria minha licença-maternidade original", afirmou ela, comentando que a empresa alterou o início da licença para dois dias antes da data original.

Reunião em trabalho de parto

Em seguida, Lorrayne rebateu a alegação de que não teria sido convocada para uma reunião durante o trabalho de parto, que o contato foi feito por um colaborador que desconhecia a situação e foi interrompido assim que esclarecido. "Foi super doce da parte desse colega me enviar aquela mensagem de texto quando ele descobriu que eu estava em trabalho de parto, mas ele não era meu chefe", disse ela.

A influenciadora afirmou que a reunião que teria sido obrigada a fazer em trabalho de parto era "completamente diferente". Ela também mostrou gravações que realizou enquanto estava no hospital.

Lorrayne, por fim, negou ter aberto o processo em busca de "fama". "Ganhei meu primeiro milhão de inscritos no YouTube em 2017 e atingi 1 milhão no Instagram em 2022. Sou criadora de conteúdo há mais de dez anos e cultivei e construí uma comunidade extremamente fiel", disse, afirmando que chegou a se afastar de seus projetos nas redes sociais enquanto trabalhou na empresa de MrBeast.

"Todas as vezes que eles postarem algo incompleto, fora de contexto ou projetado para se proteger às custas da verdade e do direito das mulheres, eu vou estar aqui com todas as provas", finalizou a influenciadora.

O que diz a Beast Industries

Em comunicado enviado à imprensa internacional, a empresa negou todas as acusações de assédio sexual, retaliação e ambiente de trabalho hostil, classificando a ação como uma tentativa de obter ganhos financeiros e visibilidade. Um representante da Beast Industries descreveu as alegações como "categoricamente falsas" em resposta ao Newsbeat , da BBC Rádio 1. A defesa afirma possuir um conjunto de provas, incluindo mensagens internas, documentos e testemunhos que, segundo a companhia, desmontariam a versão apresentada por Lorrayne no processo que tramita na Justiça norte-americana.

No comunicado, a Beast Industries afirma que a denúncia foi construída a partir de "distorções deliberadas" e nega que a ex-executiva tenha sido vítima de assédio ou prejudicada profissionalmente. Um dos pontos centrais da contestação envolve a acusação de que Lorrayne teria sido obrigada a trabalhar durante a licença-maternidade.

A empresa também afirmou que o desligamento da brasileira ocorreu em meio a uma reestruturação organizacional que resultou na extinção de diversos cargos, afetando funcionários de diferentes áreas, independentemente de gênero ou histórico profissional.

Ainda segundo a companhia, não houve registro formal de denúncias de assédio por parte de Lorrayne durante o período em que ela trabalhou na organização.

Entenda as acusações da brasileira

Na ação judicial, apresentada em um tribunal federal da Carolina do Norte e divulgada pela revista People , Lorrayne Mavromatis afirma ter enfrentado um ambiente de trabalho hostil, marcado por desigualdade de gênero e episódios de assédio sexual.

Ela acusa o então CEO da empresa, James Warren, de comportamento inadequado e relata que mulheres eram frequentemente desvalorizadas dentro da companhia. Em um dos trechos, a brasileira afirma que suas ideias eram ignoradas ou ridicularizadas, enquanto sugestões semelhantes feitas por colegas homens eram valorizadas.

Lorrayne também afirma ter sido rebaixada e posteriormente demitida após denunciar irregularidades internas. Segundo ela, a dispensa ocorreu poucas semanas após o retorno da licença-maternidade, o que teria agravado os impactos emocionais e profissionais da situação.

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