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Brasil tem média móvel de mortes por Covid menor que 1.000 pela 1ª vez desde 20 de janeiro

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A média móvel de mortes por Covid no Brasil ficou abaixo de 1.000 neste sábado (31) pela primeira vez desde o dia 20 de janeiro deste ano, quando ela era de 983. Foram 192 dias seguidos de números acima de 1.000 vidas perdidas por dia. Nesse período, o país perdeu mais de 344 mil brasileiros para a Covid.

O país chegou neste sábado a uma média móvel de mortes de 991. O Brasil registrou 925 óbitos por Covid-19 nas últimas 24 horas, alcançando 556.437 vidas perdidas desde o início da pandemia.

Em janeiro, até então o último registro do ano com médias móveis abaixo de 1.000, mas já com tendências de crescimento desde novembro, o Brasil havia recém-iniciado a imunização da população.

A enfermeira Monica Calazans, 54, que trabalha na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, foi a primeira vacinada, em evento no dia 17 de janeiro. Naquele momento, outros países no mundo já haviam iniciado a vacinação.

A situação da pandemia no país já vinha piorando com o advento da variante gama (conhecida anteriormente como P.1) desde os últimos meses de 2020. E exemplo do que estava por vir para o Brasil já ocorreu em janeiro mesmo, com a dramática situação de Manaus. Nos meses seguintes, o país conviveu com a tensão sobre a disponibilidade de oxigênio e de medicamentos para intubação para pacientes com Covid.

Dentre os 191 dias seguidos de médias acima de 1.000 mortes por dia, 61 foram de dados superiores a 2.000 óbitos diários, 55 deles consecutivos, entre março e o início de abril. Em meio a grande parte desses momentos críticos, a vacinação ainda caminhava lentamente no país, com a baixa oferta de imunizantes, o que fez crescerem as críticas ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

O presidente, ainda em 2020, levantava objeções e dúvidas quanto às vacinas contra a Covid. Daí surgiu a já famosa frase dita em dezembro de 2020 sobre o risco de virar um jacaré depois de tomar a vacina da Pfizer ("Se você virar um jacaré, é problema seu"). Mas o presidente voltou boa parte dos seus ataques especificamente à Coronavac, vacina produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, ligado ao governo paulista, e usada como trunfo pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu rival político.

Os ataques não pararam, mesmo após a vacina do Butantan liderar por tempo considerável a imunização no país. Em julho deste ano, Bolsonaro voltou a colocar em dúvida, sem apresentar evidências, a eficácia da Coronavac. O presidente disse também que "até hoje a Coronavac não tem comprovação científica", o que é uma afirmação falsa.

Em meio às médias móveis de mortes acima de 2.000, a vacinação lenta, a contínua defesa, por parte de Bolsonaro e de seu governo, de remédios sem eficácia contra a Covid e além do incentivo do presidente a comportamentos de risco, teve início a CPI da Covid.

A situação em 2021 provocada pela variante gama é consideravelmente pior do que o visto durante todo 2020. No ano passado, a média móvel de mortes ficou 31 dias seguidos acima de 1.000 óbitos por dia, entre julho e o começo de agosto, momento no qual começou a diminuir.

A maior média móvel de óbitos de 2020 foi de 1.097, registrada em 25 de julho.

Em comparação, até o momento, em 2021, a maior média móvel foi de 3.125 mortes por dia, em 12 de abril. Houve sete dias neste ano com média acima de 3.000.

A média é um instrumento estatístico que busca amenizar grandes variações nos dados, como costumam ocorrer em finais de semana e feriados. Ela é calculada pela soma do número de mortes dos últimos sete dias e a divisão do resultado por sete.

A média móvel de casos também mostra a situação crítica do país em 2021 e o momento ainda de descontrole atual da pandemia, apesar de reduções recentes nos dados da Covid.

Em 23 de junho deste ano, a média móvel de casos chegou ao maior valor registrados em toda a pandemia, 77.295 infecções registradas diariamente. Vale lembrar aqui da subnotificação de casos no país devido à ausência de uma política de testagem em massa e rastreamento.

Em 2020, o maior valor da média de casos foi atingido em 22 de dezembro, 49.395 infecções por dia.

Hoje, próximo ao início de agosto de 2021, a situação não é muito mais tranquila do que nos piores dias do ano passado. A média móvel de casos é de 35.541 e a de mortes é de 991, números não muito distantes aos de julho de 2020, pior mês da pandemia, até aquele momento.

De acordo com dados das secretarias estaduais de Saúde, o país já tem mais de 100.677.686 pessoas imunizadas com a primeira dose e 41.403.032 completamente imunizadas (com duas doses ou com a aplicação da Janssen, que é de dose única).

Os dados do país, coletados até 20h, são fruto de colaboração entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas pelo consórcio de veículos de imprensa diariamente com as Secretarias de Saúde estaduais.

A iniciativa do consórcio de veículos de imprensa ocorreu em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes. Além disso, o governo divulgou dados conflitantes.

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