BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Com duas etapas da flexibilização colocadas em curso desde o dia 25 de maio, chegando a 93% da cidade reaberta, a prefeitura de Belo Horizonte anunciou nesta sexta-feira (12) que irá manter a situação atual e segurar a próxima fase, enquanto acompanha os números da pandemia na cidade. Bares e restaurantes (por meio da associação que os representa, Abrasel-MG) e a Galeria do Ouvidor buscaram na Justiça autorização para reabrir a segunda teve o pedido negado. Shoppings populares foram reabertos em fases anteriores, mas os demais seguem fechados. Escolas seguem sem previsão de reabertura. O secretário municipal de saúde, Jackson Machado Pinto, diz que não reabrir é uma medida cautelosa e coerente com o que tem sido feito desde o início. A taxa de transmissão variou entre 1,3 e 1,19 durante a semana (o ideal é abaixo de 1), houve aumento de 30 mil passageiros em ônibus (520 mil circulando no total) e a taxa de isolamento caiu de 48,8% para 46%. "Flexibilizar significa expor mais pessoas ao vírus. As pessoas estão circulando, as chances de ter contato com ele é maior. É claro que o aumento do número de casos se deu pelo aumento da circulação de pessoas pela cidade, mas não temos como saber qual o percentual se deve a essa flexibilização", avalia ele. Dados desta sexta apontam ocupação de 74% nos leitos de UTI reservados para a Covid-19 na rede municipal e 58% em enfermaria. Com os altos índices de ocupações na região central de Minas, onde está BH, a prefeitura contatou o governo do estado pedindo que ative os leitos do hospital de campanha para atender casos de outros municípios e evitar pressão na rede da capital. O prefeito Alexandre Kalil (PSD) lembrou que a capital mineira viveu a pior tempestade de sua história em janeiro e a pior pandemia a partir de março, enfrentando as questões com políticas sociais. Ele ressaltou ainda a queda no registro de sepultamentos nos meses de abril e maio, comparado ao mesmo período de 2019. Em abril houve redução de 19 sepultamentos; em maio, de 119. "Ninguém está jogando corpo na lagoa, nem escondendo em casa, esses são números, independente das mortes, são os números de pessoas enterradas em Belo Horizonte", afirmou Kalil. O prefeito relembrou críticas feitas a ele pelo governador Romeu Zema (Novo), que caracterizou como exagero as medidas adotadas em BH em entrevistas, e disse que a população da cidade foi a mais afetada, porque ficou em casa, enquanto municípios próximos reabriam e registravam baixo isolamento. A situação de Minas Gerais também pesou na decisão de hoje. "A cidade de Belo Horizonte se preparou e abriu de forma tão regrada e tão técnica, que não está tendo que voltar atrás", diz. Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, Belo Horizonte tem 3.028 casos confirmados e 66 mortes até esta sexta. O estado tem 20.106 casos e 446 mortes 541 dos 853 municípios têm registros de casos.