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'Barqueata' no terceiro dia da COP30 reúne mais de 150 embarcações em Belém

Por Folha de São Paulo

12/11/2025 13h48 — em
Variedades



BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Uma "barqueata" com mais de 150 embarcações tomou conta do rio Guamá, em Belém, nesta quarta-feira (12), terceiro dia da COP30.

O ato marca a abertura da Cúpula dos Povos, evento paralelo à conferência da ONU e coordenado por organizações da sociedade civil. O evento será sediado na UFPA (Universidade Federal do Pará).

As embarcações saíram de diferentes portos da capital paraense e se reuniram na universidade. A organização calcula a participação de cerca de 5.000 pessoas de 60 países.

Os barcos seguem margeando o rio Guamá, que vira o rio Guajará, até chegar à Vila da Barca. A comunidade de palafitas é considerada pelo movimento um enclave social, devido à falta de saneamento em parte das casas, cujos moradores lutam há décadas por melhores condições.

O cacique Raoni Metuktire participou da "barqueata" e criticou os projetos de petróleo na amazônia e da construção da ferrovia de 933 km que ligará Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), conhecido como Ferrogrão.

"Eu já conversei com o presidente Lula para ele não perfurar poço de petróleo na amazônia e nem construir ferrogrão. Falei também para o presidente Macron aqui em Belém. E vou continuar cobrando", disse.

Participantes se preparavam para saída da "barqueata" e diziam: "Lula, pare com essa insanidade de procurar petróleo na amazônia" e "Demarcação já". Os manifestantes carregam faixas contra grandes empreendimentos na amazônia, como a Ferrogrão, bandeiras da Palestina, e pedindo reforma agrária.

"Clima não é só carbono, sem o social não tem o ambiental", afirma Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde & Alegria e um dos organizadores do ato.

"É preciso pensar em gênero, combate à desigualdade, saúde. Quem sabe uma nova governança global, um mundo sem petróleo, um jeito de produzir alimentos que não degrade, não desmate e não acabe com a nossa própria saúde", diz o ambientalista.

Ele celebra o grande engajamento de diferentes vertentes de movimentos sociais nesta COP. "Sabemos todas as dificuldades, desafios de infraestrutura e logística. Mas, como sociedade civil, talvez seja uma das COPs com maior participação —sobretudo depois de três em países com muita restrição, Azerbaijão, Emirados Árabes e Egito", afirma.

"Essa é certamente a COP com maior participação de povos tradicionais, indígenas, que são os que propõem outro modo de vida, em contraponto a esse que está nos levando ao colapso climático", disse Scannavino.

O secretário-executivo da rede de ONGs Observatório do Clima, Marcio Astrini, afirma que a presença massiva da sociedade civil "é a COP que já deu certo".

"Não sabemos o que vai sair dos corredores, negociações e das conversas em tons opacos da COP30. Mas aqui fora temos uma COP colorida, com muita diversidade. Isso vai ser legado para o movimento climático ambiental no Brasil", ressalta.

Astrini afirma que isso é importante porque torna essa pauta mais resiliente. "Aquelas negociações duram apenas duas semanas, mas o ano tem mais 50 semanas. E é nelas que acontecem coisas importantíssimas, em que a agenda de clima é ou não implementada."


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