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Balneário Piçarras (SC) lança edital para alargar faixa de areia de praia pela 4ª vez

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de Balneário Piçarras, no litoral norte de Santa Catarina, lançou um novo edital para ampliar a faixa de areia da Praia Central. A obra, estimada em R$ 38,2 milhões, será a quarta intervenção do tipo em menos de 30 anos e pretende engordar 2 dos 7 quilômetros da orla da cidade, principal atrativo turístico do município.

Desde 1998, a faixa de areia já passou por alargamentos em 1998, 2008 e 2012. A nova tentativa busca conter o avanço do mar e os efeitos da erosão costeira, problema crescente em áreas urbanizadas do litoral e agravado pelas mudanças climáticas.

Essa é a quarta tentativa da prefeitura desde 2017. A primeira concorrência não teve interessados. A segunda previa um orçamento de R$ 24 milhões, mas recebeu apenas duas propostas, ambas acima dos R$ 32 milhões. Já a terceira tentativa foi embargada pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, por suspeita de sobrepreço.

Diante dos impasses, o município refez o projeto com apoio do INPH (Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias) e alterou a base de cálculo orçamentária, substituindo a tabela da Caixa Econômica Federal por parâmetros do INPH. O critério de julgamento será o de menor preço.

O edital prevê o despejo de cerca de 379 mil metros cúbicos de areia entre dois espigões, um localizado na altura da avenida Getúlio Vargas e outro na barra do Rio Piçarras. A areia será retirada do fundo do mar por dragas, embarcações de grande porte utilizadas nesse tipo de obra.

Segundo a prefeitura, a expectativa é que as obras durem até 70 dias após a assinatura do contrato —ainda não há data para início. As empresas interessadas têm até o dia 5 de setembro para enviar suas propostas.

Apesar da recorrência desse tipo de obra em cidades catarinenses como Piçarras, Balneário Camboriú e Florianópolis, especialistas alertam para os riscos e os custos elevados dessas intervenções.

Em nota técnica divulgada em maio, pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) criticaram a falta de um planejamento regional e apontaram que obras pontuais de engorda podem provocar efeitos colaterais ao longo do litoral.

"O uso contínuo da engenharia de praia como única resposta à erosão costeira é uma estratégia cara e limitada. O alto custo de implantação e, principalmente, de manutenção dessas obras, tende a se repetir em ciclos curtos, sem resolver os problemas estruturais", diz o documento.

A nota também questiona a eficácia do modelo atual de licenciamento ambiental, apontando a ausência de avaliação integrada dos impactos das intervenções em escala regional. Os pesquisadores defendem a elaboração de planos de gestão costeira que considerem toda a dinâmica do litoral.

Além de buscar proteção contra as ressacas, o município espera que a faixa de areia mais larga aumente o apelo turístico e estimule a economia local durante a alta temporada.

Balneário Piçarras está pré-selecionada para receber o selo Bandeira Azul 2025/2026, certificação internacional que avalia critérios como qualidade da água, educação e gestão ambiental. A cidade já obteve o selo em três trechos da orla e tenta estendê-lo a toda sua extensão, de aproximadamente 7 quilômetros.

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