SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma audiência de conciliação entre o sindicato dos metroviários e representantes do Metrô para chegar a uma solução para a greve terminou em impasse na noite desta quinta-feira (23), após um dia de confusão nas estações por causa da paralisação. Segundo o sindicato, a companhia manteve a posição de que não atenderá a reivindicação de pagamento de abono salarial nem de revogação de demissões.
Os grevistas afirmam que o Ministério Público do Trabalho ofereceu uma proposta intermediária, na intenção de servir como mediador entre os trabalhadores e a companhia estadual, que foi recusada pela empresa.
O Ministério Público do Trabalho teria sugerido o pagamento referente a um ano de abono salarial. Segundo o sindicato, isso seria equivalente a R$ 2.700, valor considerado baixo pela categoria. Apesar dessa avaliação, eles decidiram pela aceitação da proposta, segundo a presidente do sindicato, Camila Ribeiro Lisboa.
"Na audiência no TRT, o Ministério Público do Trabalho apresentou uma proposta de abono para os metroviários e também seguir negociações de outros itens. Na assembleia, eu e toda a diretoria do sindicato aceitamos a proposta do MPT e esperamos o Metrô se manifestar até 23h. Se for favorável, acabamos a greve e amanhã o metrô volta a funcionar normalmente", disse Lisboa em reunião virtual com jornalistas.
Ela também disse que os metroviários estão dispostos a trabalhar com catraca livre nesta sexta, "para não atrapalhar muito a população" e como determinou a juíza do TRT, Eliane Aparecida da Silva Pedroso.
Em uma nova decisão, preferida na noite desta quinta (23), Pedroso afirma que o mandado de segurança pedido pelo governo do estado para cancelar as catracas livres foi usado para cancelar a decisão do próprio governo, o que não pode ser feito. Desta forma, a ação acabou trazendo prejuízos à população.
Por isso, a juíza determinou uma multa de R$ 100 mil ao Metrô por conduta antissindical.
"Expôs, com isso, a risco, não apenas e gravemente os trabalhadores, mas a população, embora tenha ajuizado o pedido de liminar para evitá-los. Nesse quadro, no interior da presente Tutela Cautelar Antecedente, reitero a negativa da liminar requerida pelo Metrô e reconheço, incidentalmente, a prática de conduta antissindical, punindo-o com multa de R$ 100 miil, em favor do requerido", decretou a juíza.
O sindicato diz que a empresa pública deixa de pagar há três anos o abono salarial devido à categoria. Eles pedem reposição do equivalente à participação nos lucros de 2020 a 2022. O Metrô, por sua vez, afirma não ter dinheiro para pagar o ab ono salarial neste momento, alegando que a empresa teve quedas significativas de arrecadação devido à pandemia e ainda não teve o retorno total da demanda de passageiros.
O diretor de operações do Metrô, Milton Gioia, disse que a empresa não conta com dinheiro em caixa para se comprometer com as reivindicações dos funcionários. Segundo ele, o serviço ainda não recuperou a demanda de quase 3,8 milhões de passageiros, registradas antes da pandemia de Covid.
Em reunião com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a cúpula do Metrô não obteve nenhuma promessa de aporte do estado.
"O metrô faz esforços muito grandes para não atrasar um dia o pagamento dos funcionários. Durante a pandemia, mesmo com uma recessão muito forte, não medimos esforços para não atrasar um dia o salário de nenhum empregado", disse Gioia. "O abono é um pedido a mais que o Sindicato está fazendo, e não temos condições financeiras de bancar este abono."
Em nota, o Metrô afirmou que "tentou todas as formas de negociação, inclusive com a concessão de benefícios como o pagamento de progressões salariais". A empresa também afirma cumpre integralmente com o acordo coletivo de trabalho e as leis trabalhistas, e que "considera incompreensível a postura do Sindicato dos Metroviários que acabou punindo o cidadão".
Por meio de um plano de contingência, a companhia reabriu na tarde desta quinta-feira (23) trechos das Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3- Vermelha. A reabertura duraria apenas até as 20h.



