Início Variedades Após operação no RJ, Senado aprova projeto que limita soltura de preso em audiência de custódia
Variedades

Após operação no RJ, Senado aprova projeto que limita soltura de preso em audiência de custódia

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após operação policial no Rio de Janeiro matar 64 pessoas nesta terça-feira (28), o Senado aprovou um projeto de lei que altera pontos do Código de Processo Penal e acrescenta critérios que o juiz precisa observar durante a audiência de custódia para decidir se o preso em flagrante deve ser solto ou se continuará preso preventivamente (sem prazo previamente determinado).

O texto também trata da coleta de material biológico para obtenção e armazenamento do perfil genético do custodiado. A proposta segue para sanção presidencial.

Segundo o senador Sergio Moro (União Brasil-PR), relator do projeto, o objetivo de estabelecer critérios expressos na lei é "diminuir o número de solturas" após audiências de custódia.

"É necessário disciplinar melhor a audiência de custódia, que tem se tornado uma espécie de porta giratória para criminosos. Precisa de mais rigor. Há um excesso de solturas e isso tem gerado um sentimento de impunidade", disse Moro, acrescentando que o texto tem consenso na Casa.

O texto original é de autoria do ex-senador Flávio Dino, hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), e começou a tramitar no ano passado. A proposta foi aprovada pelos senadores, mas teve alterações na Câmara dos Deputados e por isso voltou para a nova análise pelo Senado.

Nesta terça, em função da operação policial no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, o Senado se mobilizou para acelerar o texto e aprová-lo com urgência.

"Vou incluir esta matéria, a partir de um requerimento dos líderes partidários, e por solicitação do relator, porque a cobrança desta agenda da segurança pública é uma temática do parlamento brasileiro e da sociedade", justificou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A ação policial deixou ao menos 64 pessoas mortas, na operação mais letal da história do estado. Segundo o governo Cláudio Castro (PL), as forças de segurança atuaram nos complexos do Alemão e da Penha contra a expansão territorial do Comando Vermelho.

A votação do projeto pelo Senado foi rápida, sem registro nominal de votos e sem debates no plenário. O texto já segue para análise do presidente Lula (PT), que pode sancioná-lo ou vetá-lo.

De acordo com o texto, o juiz deve aprovar a prisão preventiva considerando pontos como:

o uso reiterado de violência ou grave ameaça à pessoa; a participação em organização criminosa; a natureza, quantidade e variedade de drogas, armas ou munições apreendidas; o fundado receio de reiteração delitiva, inclusive à vista da existência de outros inquéritos e ações penais em curso Além disso, o projeto também obriga a coleta de material biológico para obtenção e armazenamento do perfil genético do custodiado em determinados casos. A coleta deve ocorrer, por exemplo, no caso de prisão em flagrante por crime contra a dignidade sexual, crimes hediondos e quando a pessoa for suspeita de integrar organização criminosa. "Isso vai ajudar a investigação criminal", disse Moro.

Ao final da sessão desta terça, Alcolumbre divulgou uma nota à imprensa na qual afirma que o Congresso Nacional "acompanha com atenção e preocupação os graves acontecimentos registrados no Rio de Janeiro" e que o projeto aprovado nesta terça "aperfeiçoa o marco legal de enfrentamento à criminalidade, reforçando os instrumentos de proteção aos agentes públicos e à população civil".

"A Presidência do Senado Federal manifesta apoio às ações das forças de segurança no combate à criminalidade, às facções e ao crime organizado, reafirmando a necessidade de um esforço coletivo e conjunto de todos os atores do Estado brasileiro para proteger os cidadãos da violência que assola o país. Manifesta, ainda, solidariedade às famílias das vítimas, aos profissionais de segurança envolvidos e a toda sociedade fluminense", disse ele.

"O Congresso Nacional seguirá atento ao desenrolar da crise e coloca-se à disposição para contribuir, de forma responsável e democrática", continua ele.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?