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Adolescente é baleado em escola durante tiroteio na Maré, no RJ, e ação policial deixa 3 mortos

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um adolescente de 12 anos foi baleado dentro de uma escola municipal no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (26), durante um tiroteio provocado por uma operação da Polícia Civil.

A ação deixou três mortos. Segundo a Polícia Civil, os mortos eram suspeitos de atuar como seguranças de uma liderança do tráfico, que não teve o nome revelado. Um suspeito foi preso, e dois fuzis e pistolas foram apreendidos.

Por causa do tiroteio, a Linha Amarela, uma das principais vias expressas da cidade, teve interdições intermitentes e chegou a ser totalmente fechada ao menos quatro vezes ao longo da manhã. O tráfego foi afetado por mais de três horas, até a liberação completa às 13h35.

O adolescente baleado é estudante do 6º ano da escola municipal Hélio Smidt e foi atingido de raspão por um disparo na perna esquerda enquanto estava no pátio. Ele foi atendido na clínica da família e, depois, transferido ao hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha.

No início da noite, a secretaria municipal de Educação informou que o jovem recebeu alta médica.

Ainda segundo a secretaria, a ambulância que resgatou o adolescente precisou aguardar para entrar na Maré por conta dos tiroteios, e também teve dificuldade para sair.

A Polícia Civil afirmou que recebeu informações de inteligência de que traficantes de uma facção se preparavam para invadir uma comunidade do complexo da Maré dominada pelo grupo rival.

O conjunto de 16 favelas tem localidades controladas pelo CV (Comando Vermelho) e pelo TCP (Terceiro Comando Puro). Segundo moradores, os tiroteios se concentram na Vila do João e Vila do Pinheiro, dominadas pelo TCP.

Em razão da falta d'água, os alunos das escolas públicas da Maré foram liberadas mais cedo, por volta das 11h, momento em que começou o tiroteio.

O tiroteio impactou também a Cidade Universitária, principal campus da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), localizado na ilha do Fundão. Um helicóptero da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) pousou em uma área de gramado do campus, na altura do edifício que abriga a FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) e a Escola de Belas Artes.

Em nota à imprensa, a UFRJ disse que o helicóptero pousou por três minutos para verificar possível pane.

Em outro prédio, o do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, um tiro atingiu a parede de uma das salas de aula, que estava ocupada por estudantes. A UFRJ afirmou que não houve feridos. Há também relato de tiro em um banheiro feminino de outro prédio do campus.

As aulas nos turnos da tarde e da noite no campus da ilha do Fundão foram suspensas. A universidade afirmou que estudantes que perderam provas desta quarta terão direito à segunda chamada, e alunos que não foram à aula terão abono de faltas.

Escolas públicas da Maré também cancelaram aulas, e as unidades de saúde do conjunto de favelas também fecharam as portas por segurança.

Por volta das 11h, a Linha Amarela ficou totalmente interditada por cerca de 15 minutos na altura da Vila do João. Motoristas voltaram na contramão para fugir dos disparos. Depois, a via seguiu com bloqueios intermitentes até ser completamente liberada às 13h35, segundo a Lamsa, concessionária da via.

Durante um tiroteio um gari da Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana) precisou se proteger dos tiros debaixo de um viaduto. Sob reserva, ele afirmou à reportagem que estava cortando grama e precisou parar o trabalho. Morador do complexo da Maré, ele disse estar preocupado com a filha, que estava em casa.

No mesmo viaduto, um vendedor de doces também se abrigava. Ao lado, um blindado da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes) chegava com policiais que apontavam fuzis para a Maré.

Apesar da instabilidade na região, milhares de torcedores do Flamengo mantiveram a programação do "Aerofla", evento de despedida da delegação que embarca para Lima, no Peru, onde o time disputa a final da Libertadores no sábado (29). A expectativa inicial é de ao menos 10 mil torcedores acompanhando a saída da equipe no aeroporto internacional do Galeão.

A Polícia Militar montou um esquema especial para o deslocamento, com um cinturão de segurança ao longo dos 45 km previstos no trajeto. Foram mobilizados 345 policiais, com reforço de unidades do Recon, Batalhão de Choque, Batalhão de Ações com Cães e Batalhão de Motociclistas.

Às 14h25, a delegação deixou o Ninho do Urubu, na zona oeste do Rio, em direção ao Galeão. O deslocamento ocorre por vias que tiveram impacto direto dos tiroteios mais cedo, incluindo o acesso ao aeroporto.

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