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Festival de Parintins, sim! Exploração de turistas, não!


Por Orsine Jr.

18/03/2022 8h41 — em
Turismo, eu acredito!


Foto: Divulgação/Governo do Amazonas

Neste ano, finalmente teremos o retorno do Festival Folclórico de Parintins e essa é a notícia boa. Mas estamos assustados com os preços de transporte e hospedagem cobrados a quem quer curtir o espetáculo do Caprichoso e Garantido, nos dias 24, 25 e 26 de junho. 

Eles estão abusivos e até quatro vezes mais caros do que os valores praticados em 2019, período pré-pandemia. Isso é exploração!

Estamos muito felizes com a realização presencial do festival e o poder econômico que a festa tem para Parintins.

Os olhos do mundo se voltam para a Ilha Tupinabarana e o turismo na cidade dispara, mas não podemos deixar de fazer um alerta em relação às cobranças absurdas aos turistas, sejam eles internacionais, nacionais e até mesmo os locais. Não podemos permitir essa exploração.

Em 2019, a passagem de avião para Parintins durante o período de festival, se comprada com antecedência, podia ser adquirida por até R$ 1 mil (ida e volta).

Atualmente, duas companhias aéreas operam em Parintins, Gol e Azul, e fizemos, no último dia 16, uma cotação de valores para a cidade, com saída de Manaus (23 de junho) e retorno à capital (27 de junho).

Os valores foram surpreendentes. O preço praticado pela Azul chegou a R$ 4.036,73 (R$ 1.185 e R$ 2.850,90, ida e volta, respectivamente), enquanto a Gol cobra R$ 3.010,43 (R$ 1.508,93 e R$ 1.501, ida e volta, respectivamente).

Tarifas altíssimas, equivalentes a destinos internacionais como Miami. Com esse tipo de custo no transporte, os turistas escolhem outros destinos e deixam de prestigiar nossa linda “ópera cabocla”. Isso é fato!
  
Quando falamos em hospedagem, a alta de preços também não fica atrás. Os aluguéis estão muito “salgados”. As reclamações são constantes nas redes sociais, por exemplo. Quem não tem parentes ou conhecidos na cidade e terá de pagar um lugar para ficar, pode preparar o bolso! Chegamos a ver um quarto, com capacidade para três pessoas, com diária de R$ 1,5 mil. O preço de locação dos imóveis triplicou. Isso é fora da realidade!  

Os ingressos (arquibancada e camarotes) para a festa estão praticamente esgotados e tem gente vendendo os bilhetes (cambistas) já adquiridos, também, a “preço de ouro”. Ou seja, transporte, hospedagem e o acesso ao festival estão os “olhos da cara”. Isso não é turismo, isso é exploração ao turista.  

Temos plena consciência da grandiosidade e experiência única que a nossa “ópera cabocla” proporciona para quem a prestigia, mas deve haver bom senso.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Parintins

Após dois anos suspenso, entendemos que o festival precisa “renascer”, mas com responsabilidade e respeito, principalmente, com o turista.

Não podemos ser taxados como o mais caro festival folclórico do mundo, temos que ter preços convidativos. Se faz necessário uma intervenção dos órgãos de controle, bem como dos gestores públicos de nossa matriz turística, para que possamos criar a conscientização e o tarifário acessíveis aos turistas.

Pelo “sim” ao festival e “não” à exploração dos turistas, Turismo Eu Acredito!


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