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Ligação de Trump com setor de tecnologia é alvo de críticas bipartidárias após descontrole de IA

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Ligação de Trump com setor de tecnologia é alvo de críticas bipartidárias após descontrole de IA
Ligação de Trump com setor de tecnologia é alvo de críticas bipartidárias após descontrole de IA

Por Courtney Rozen e Alexandra Alper

WASHINGTON, 6 Ago (Reuters) - Em uma rara demonstração de convergência, tanto os democratas quanto os apoiadores conservadores de Donald Trump atribuem à relação do presidente dos EUA com o setor de tecnologia a resposta limitada do governo aos ataques cibernéticos realizados por agentes de IA da OpenAI e da Anthropic.

Já se passaram duas semanas desde que a OpenAI chocou a comunidade tecnológica ao revelar que um de seus agentes de IA saiu do controle e invadiu os sistemas da empresa de IA Hugging Face. A Casa Branca afirmou que estava monitorando a situação, e Trump disse que estava analisando medidas de controle sobre a IA.

A Anthropic informou que também havia descoberto que alguns de seus modelos de IA haviam invadido os sistemas de três empresas.

Steve Bannon, uma estrela da mídia conservadora, ex-assessor e aliado de longa data de Trump, afirmou que a regulamentação da IA pela Casa Branca tem sido inadequada, dada a ameaça à segurança nacional que ela representa. Ele atribuiu a culpa diretamente ao Vale do Silício.

“Existe uma relação ‘íntima demais’ entre as empresas e a equipe, não apenas na Casa Branca, mas acredito que também no aparato de segurança nacional”, disse Bannon à Reuters.

“Por que você permitiria que elas assumissem o controle? Você não deve permitir. E eu sou contra o ‘deep state’ (Estado profundo) e contra o Estado burocrático, mas é definitivamente necessário ter pelo menos uma estrutura rudimentar de algum tipo de aparato regulatório” para regulamentar a IA, acrescentou Bannon.

O senador norte-americano Ron Wyden, do Oregon, expressou preocupações semelhantes.

“Trump tem se ausentado porque acha que os bilionários donos das empresas de IA estão do seu lado. Em vez de tentar resolver esses problemas, Trump e seus aliados republicanos estão focados em bloquear leis estaduais sobre IA e derrubar as proteções básicas que empresas como a Anthropic estabeleceram sobre como seus modelos são utilizados”, disse o democrata.

A relação da Anthropic com o governo se rompeu este ano depois que a empresa se recusou a permitir que as Forças Armadas dos EUA usassem seus modelos de IA para vigilância doméstica em massa e sistemas de armas totalmente autônomos.

A Casa Branca e a OpenAI não responderam aos pedidos de comentário. O porta-voz da Anthropic se recusou a comentar.

Bannon e Wyden se juntam a um pequeno grupo de vozes de todo o espectro político que levantam preocupações de que os laços de Trump com as grandes empresas de tecnologia possam cegá-lo para os perigos da IA e dissuadi-lo de tomar medidas significativas.

As empresas de tecnologia e seus executivos doaram mais de US$300 milhões para os esforços de reeleição de Trump em 2024 e para a Maga Inc, um comitê de ação política alinhado ao presidente. Trump também nomeou pessoas ligadas ao setor para cargos-chave.

O governo Trump afirmou em junho que pediria a desenvolvedores de IA, como a OpenAI e a Anthropic, que submetessem voluntariamente seus modelos de inteligência artificial com recursos avançados de hacking a testes de segurança cibernética do governo, antes do lançamento ao público. O governo ainda não divulgou detalhes sobre como os testes funcionarão, mas a Reuters informou que apenas alguns modelos serão submetidos a eles.

O deputado democrata Gregorio Casar, do Texas, afirmou que Trump está “falhando completamente” em proteger os norte-americanos dos perigos da IA.

“Ele recebeu milhões de bilionários da IA. Agora, diante de problemas extremamente perigosos de segurança cibernética relacionados à IA, ele diz que criou uma avaliação ‘voluntária’ que ninguém viu. Está cochilando ao volante. Está ocupado demais lucrando para proteger nossos empregos ou a segurança nacional”, escreveu ele em uma postagem na plataforma de mídia social X.

Executivos e investidores de empresas de IA estavam entre os maiores doadores individuais de 2025 para a Maga Inc.

O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa, Anna Brockman, doaram juntos US$25 milhões ao comitê em 2025, de acordo com registros da Comissão Eleitoral Federal.

A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, investidora na OpenAI, e os cofundadores da empresa, Ben Horowitz e Marc Andreessen, doaram juntos US$12 milhões ao comitê desde a segunda posse de Trump. A empresa, seus cofundadores e o casal Brockman não responderam aos pedidos de comentário.

A investidora do Google Asha Jadeja, o presidente-executivo da SpaceX, Elon Musk, e o presidente-executivo da Blackstone, Stephen Schwarzman, doaram pelo menos US$5 milhões cada um ao comitê em 2025, de acordo com registros da FEC, a Comissão Federal de Eleições. A Blackstone é investidora em infraestrutura de IA, incluindo um empreendimento de nuvem de IA com o Google, um dos três principais desenvolvedores de inteligência artificial nos EUA. Jadeja, Musk, Schwarzman e a Blackstone não responderam aos pedidos de comentário.

Amy Kremer, uma ativista de direita e apoiadora de Trump que ajudou a organizar o comício de 6 de janeiro que antecedeu a invasão do Capitólio, acusou o setor de construir “um fosso ao redor da Casa Branca”.

Trump também acolheu executivos do setor em seu governo, com destaque para o bilionário Elon Musk, que supervisionou os cortes do presidente na força de trabalho federal durante os primeiros meses de seu segundo mandato. Musk gastou mais de US$250 milhões para ajudar Trump a vencer a eleição de 2024, de acordo com documentos de campanha analisados pela Reuters.

Trump também nomeou David Sacks, um investidor de capital de risco do Vale do Silício, como czar de IA da Casa Branca, juntamente com Sriram Krishnan, da Andreessen Horowitz, e Michael Kratsios, da Scale AI.

Sacks e Krishnan já deixaram o governo Trump, embora Sacks ainda seja consultor externo da Casa Branca em questões de tecnologia.

Sacks tem defendido que o presidente adote uma abordagem de não intervenção na regulamentação da IA, argumentando que as regras retardarão o setor em sua corrida contra os concorrentes chineses. O governo Trump tentou persuadir o Congresso a aprovar uma lei que restringisse as regulamentações estaduais sobre IA, uma ideia que o Senado dos EUA rejeitou por esmagadora maioria.

Krishnan, Kratsios e Sacks não responderam aos pedidos de comentário.

(Reportagem de Alexandra Alper e Courtney Rozen)

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