Início Silvia Simões Nenhuma mulher deveria ter: medo de existir, caminhar ou dizer não!
Silvia Simões

Nenhuma mulher deveria ter: medo de existir, caminhar ou dizer não!

Silvia Simões
Por Silvia Simões
29/10/2026 14h41 — em Silvia Simões

Perseguição e importunação sexual não são brincadeiras. São violências que ferem a dignidade, roubam a tranquilidade e transformam a liberdade em medo.

Imagine uma mulher saindo do trabalho, caminhando pela rua, esperando um ônibus ou voltando para casa. Ela só quer chegar ao seu destino em paz. Mas, de repente, percebe que está sendo seguida, ouve palavras obscenas, recebe abordagens indesejadas ou sente que alguém ultrapassou os limites do respeito.

Naquele instante, o caminho de volta para casa deixa de ser apenas um trajeto. Transforma-se em medo, angústia e preocupação.

Quantas mulheres precisam fingir que estão ao telefone para se sentirem mais seguras? Quantas mudam de calçada, apertam o passo, compartilham a localização com alguém ou seguram as chaves entre os dedos por receio de não chegarem bem ao próprio lar?

O que deveria ser liberdade tornou-se, para muitas, uma constante estratégia de sobrevivência. E isso não pode ser tratado como algo normal!

O silêncio da vítima não significa consentimento

É preciso compreender, de uma vez por todas, que insistência não é conquista, perseguição não é amor e importunação sexual não é elogio. Uma mulher não deve satisfação a quem não deseja, não precisa sorrir para evitar constrangimentos e não tem obrigação de tolerar comportamentos invasivos para parecer educada.

O problema se agrava quando a vítima tem medo de denunciar, de não ser acreditada, de sofrer julgamentos ou de encontrar o agressor novamente no caminho de casa, no trabalho ou até na porta de sua residência.

Por trás de cada relato, pode existir uma mulher tentando recuperar a paz, a confiança e o direito de viver sem sobressaltos.

A culpa nunca deve ser colocada sobre a mulher que sofre a violência. A responsabilidade é de quem pratica a conduta abusiva.

Autoridades, proteger também é agir antes que seja tarde!

Esta coluna faz um chamado às autoridades de segurança pública, aos órgãos de Justiça, às instituições de proteção às mulheres e aos gestores públicos: é necessário ampliar a atenção, fortalecer os canais de denúncia, investigar os casos com seriedade e garantir acolhimento humanizado às vítimas.

Precisamos de prevenção, equipes preparadas, respostas rápidas, proteção contra ameaças e perseguições recorrentes e campanhas educativas que ensinem, desde cedo, que respeito não é favor: é obrigação.

Também é fundamental que os espaços públicos, o transporte coletivo, os locais de trabalho e os ambientes de convivência sejam tratados como lugares onde a segurança das mulheres deve ser uma prioridade permanente.

Não basta lamentar quando uma situação termina em tragédia. É preciso ouvir os primeiros sinais, levar cada denúncia a sério e agir dentro da lei para impedir que a violência avance.

A sociedade também precisa sair da plateia

Quando uma mulher pede ajuda, não podemos virar o rosto. Quando alguém presencia uma situação de assédio ou perseguição, deve procurar uma maneira segura de ajudar, sem se colocar em risco nem expor ainda mais a vítima.

Pais e mães precisam ensinar aos filhos que masculinidade não se prova pelo controle, pela intimidação ou pela insistência. Ensina-se respeito pelo exemplo, pela educação e pela compreensão de que o corpo, a vontade e a liberdade do outro têm limites que não podem ser violados.

E aos homens que respeitam as mulheres, fica um convite: não se calem diante de comportamentos abusivos. A omissão pode alimentar a ideia de que tudo é permitido.

Uma reflexão que não pode terminar nesta página

Manaus, o Amazonas e o Brasil precisam compreender que uma mulher não deveria planejar seus passos com medo de ser perseguida, nem calcular os riscos de simplesmente voltar para casa.

Toda mulher tem o direito de dizer não. Tem o direito de andar na rua, trabalhar, estudar, sorrir, vestir-se como quiser e viver sem ser intimidada. Nenhuma roupa, horário, comportamento ou circunstância autoriza alguém a desrespeitá-la.

E fica aqui uma pergunta para todos nós: que sociedade estamos construindo quando tantas mulheres precisam mudar a própria rotina para fugir da violência de outras pessoas?

A verdadeira mudança começa quando o respeito deixa de ser apenas discurso e se transforma em atitude, proteção e justiça.

Que nenhuma denúncia seja recebida com deboche. Que nenhuma vítima seja culpabilizada. Que nenhuma perseguição seja banalizada. E que nenhuma mulher precise esperar que o pior aconteça para ser ouvida.

Mulheres não precisam de permissão para serem livres. Precisam ter seus direitos respeitados e sua segurança protegida.

Porque uma sociedade que não protege suas mulheres ainda tem muito a aprender sobre humanidade.

Respeito às mulheres não é uma opção. É um compromisso de todos nós.

Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

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