O tradicional jejum antes de exames de sangue pode não ser necessário para a maioria dos testes de rotina, segundo um estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine . A pesquisa analisou exames de mais de 100 mil adultos e concluiu que, na maior parte dos casos, o tempo sem comer provocou alterações pequenas nos resultados.
Os pesquisadores avaliaram 101.148 pacientes e quase 9,8 milhões de resultados laboratoriais coletados na Coreia do Sul entre 2021 e 2023. Os participantes foram divididos conforme o período desde a última refeição: menos de oito horas, entre oito e 12 horas e mais de 12 horas.
Quais exames podem sofrer alteração?
A pesquisa apontou que exames como hemograma, sódio, potássio, ureia, creatinina, colesterol total e a maioria das enzimas do fígado permaneceram praticamente estáveis independentemente do tempo de jejum.
As diferenças mais relevantes apareceram em alguns exames quando a coleta ocorreu após menos de oito horas sem alimentação. A glicose ficou 10,8% mais alta, enquanto os triglicérides aumentaram 20,1%. Também foram observadas alterações na GGT e na lipase.
Por outro lado, ficar mais de 12 horas sem comer não trouxe ganho relevante na precisão dos resultados analisados. A comparação entre oito e 12 horas de jejum e períodos superiores a 12 horas não identificou diferenças clinicamente significativas nos exames avaliados.
Jejum não deve ser descartado por conta própria
Apesar dos resultados, a pesquisa não significa que o paciente deva ignorar as orientações recebidas antes de uma coleta. A necessidade de jejum depende do exame solicitado e da avaliação médica.
A recomendação dos pesquisadores é substituir a exigência de jejum para todos os exames por orientações específicas para cada teste. Glicose e triglicérides estão entre os exames em que o período sem alimentação pode continuar sendo importante.
O estudo também reforça que períodos superiores a 12 horas sem alimentação podem causar desconforto sem oferecer benefício adicional para a precisão dos exames.
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