Família deve ter última palavra sobre doação de órgãos, propõe campanha

Por Portal do Holanda

16/09/2021 16h30 — em Saúde e Bem-estar

Foto: Divulgação

Com o slogan “Seja Doador de Órgãos e Avise sua Família”, o Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig) e a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) lançam por ocasião do Setembro Verde, uma campanha de conscientização da população sobre a importância da doação. 

Dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) informam que 1.126 pessoas estão na fila de espera por um transplante de fígado e mais de 45 mil pessoas aguardam por um transplante de órgãos sólidos e de tecidos. Com o alerta, a campanha tem objetivo de sensibilizar sobre a necessidade da família ter a palavra final sobre a doação de órgãos. 

A Sociedade Brasileira de Hepatologia, além de várias organizações não governamentais (ONGs) são parcerias da campanha que pode salvar muitas vidas, alertou o hepatologista Paulo Bittencourt, presidente do Ibrafig, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo ele, cada órgão doado pode salvar a vida de oito pessoas, mas  durante os quase dois anos de pandemia de covid-19, o número de doações por milhão de habitantes caiu para valores bem abaixo da meta necessária para reduzir a morbimortalidade das pessoas em fila de espera para transplantes. 

As entidades destacam a importância e a necessidade de conseguir o consentimento da família para que haja a doação, pois sem isso o ato não acontece mesmo que tenha havido a intenção do possível doador antes de sua morte.

DECISÃO

Outro nefrologista, Alexandre Tortoza Bignelli, coordenador do Serviço de Transplantes Renais do Hospital Universitário Cajuru (HUC), localizado em Curitiba e considerado referência em transplante de rins, afirmou que, na hora da captação, a abordagem deve ser feita com a família da pessoa que desejava doar, “porque essa pessoa está em morte cerebral e é a família que vai dar a última palavra”. 

O médico lembrou que, em vida, a pessoa pode ser doadora de órgão mas, se estiver em morte cerebral, não é ela que vai decidir, sim a família, que pode pensar diferente e impedir a captação do órgão. 

Bignelli destacou que a distribuição de órgãos é feita por critérios de gravidade, como é o caso do fígado ou coração, ou por critério de compatibilidade ou genética (tipo de sangue). 

O órgão vai ser distribuído com equidade entre a população, não havendo ninguém que seja favorecido na lista, à exceção das crianças e jovens até 18 anos. Nessa faixa de idade, as crianças são priorizadas, mas ainda assim há crianças na fila de espera.


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