O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em mulheres apresenta desafios diferentes do processo em homens. A camuflagem social, um comportamento frequentemente observado em mulheres autistas, torna a identificação dos sintomas mais complexa, levando a diagnósticos tardios ou até mesmo à invisibilidade do transtorno.
Segundo a Folha de S. Paulo, especialistas como a neuropsicóloga Joana Portolese, do Ambulatório de Autismo do HC-USP, explicam que as meninas autistas tendem a mascarar suas características para se encaixar em diferentes contextos sociais. Essa camuflagem pode se manifestar de diversas formas, como esforço para imitar o comportamento de outras meninas; supressão de interesses e comportamentos autênticos; desenvolvimento de habilidades sociais artificiais; camuflagem de dificuldades sensoriais.
Diagnóstico Tardio
O diagnóstico tardio do TEA em mulheres traz prejuízo no desenvolvimento de habilidades sociais e de comunicação, dificuldades na vida acadêmica e profissional, sofrimento psicológico e exaustão mental além de comorbidades como depressão, ansiedade e distúrbios alimentares.
Segundo a especialista, é importante estar atento a alguns sinais sutis que podem indicar autismo em mulheres, mesmo que camuflados, como a falta de motivação social e dificuldade em manter amizades, a dificuldade em manter contato visual, a dificuldade na integração entre comunicação verbal e não verbal, od interesses restritos e intensos e a sensibilidade sensorial atípica.
O diagnóstico precoce do TEA é fundamental para que as mulheres autistas recebam o tratamento adequado e desenvolvam todo o seu potencial. O tratamento pode incluir terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia psicopedagógica e intervenções psicossociais.

