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Vitalidade do setor cultural resiste ao atraso de salários

RIO — A indústria da cultura do Rio oscila entre boas novidades e crise. Há duas semanas, três casas de espetáculos da rede pública do Rio foram reinaugurados na capital. Ao mesmo tempo, funcionários do Theatro Municipal, da rede estadual, continuavam os mutirões para arrecadação de cestas básicas para os colegas mais prejudicados pelo atraso de três meses nos salários. Em julho, o governo pôs o pagamento em dia, mas muitos servidores continuam em dificuldades. Ainda está pendente o pagamento do 13º salário de 2016 e de gratificações.

— As pessoas estão usando o pagamento dos atrasados para aliviar dívidas, mas os juros são muito altos — diz o presidente do Sindicato dos Funcionários do Teatro Municipal, Pedro Olivero.

Segundo a Secretaria de Estado de Cultura, a dívida do teatro com fornecedores é de R$ 5 milhões, e outros R$ 3 milhões são devidos aos funcionários. Apesar do colapso financeiro do estado, o secretário André Lazaroni diz estar otimista com a regulamentação do Fundo Estadual de Cultura, que será abastecido com recursos de empresas beneficiadas pela Lei de Incentivo à Cultura (que prevê dedução no ICMS) e também poderá receber doações, verbas internacionais e repasses do governo federal:

—É importante ressaltar que, apesar da crise financeira que assola o estado, a programação cultural foi mantida.

O secretário promete esforço para resolver outros dois problemas que também se tornaram símbolo da crise generalizada: a interrupção das obras do novo Museu da Imagem e do Som (MIS), em Copacabana, e o fechamento das bibliotecas-parque da Rocinha, de Manguinhos e do Centro.

— O MIS e as bibliotecas estavam fechadas quando assumimos e vamos conseguir reabrir — promete Lazaroni.

Enquanto vive essa expectativa, o Rio comemora a reabertura de três teatros, que somam 885 lugares. Desde 23 de agosto está de portas abertas o Teatro Maria Clara Machado, na Gávea. No dia 24, voltou a funcionar o Teatro Caixa Nelson Rodrigues, no Centro.

— A indústria criativa vai nos ajudar a sair deste momento — diz André Marini, presidente da Fundação Cidade das Artes, responsável pelo complexo cultural da rede municipal.

A mudança no perfil da programação, antes voltada para o clássico e o erudito e agora aberta também à arte popular, aumentou a frequência de 30 mil pessoas, no primeiro semestre de 2016, para 48 mil no mesmo período deste ano.

Uma das mudanças na Cidade das Artes, na Barra, foi a abertura da sala exclusiva para música eletroacústica para outros espetáculos. A sala, com 120 lugares, está com programação todo fim de semana.

— A rede municipal de equipamentos culturais teve 3,4 milhões de espectadores no primeiro semestre de 2017, 3,5% a mais que no mesmo período do ano passado. Apesar da crise geral, as pessoas não abrirem mão da cultura é um sinal de vitalidade.

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