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‘Viagem’ entre Nova York e Rio ficou mais curta e divertida

RIO — Que o Rio tem um pezinho em Nova York a gente já sabia, desde que o New York City Center, anexo do BarraShopping, aportou na Barra da Tijuca, em 2003, com uma réplica da Estátua da Liberdade de gosto um tanto duvidoso na fachada. Mas a capital carioca vem ganhando ainda mais contornos da Big Apple. Muito bem-vindos, por sinal. No próximo dia 31, abre por aqui (no Lagoon, na Lagoa) a versão brasileira da clássica casa de jazz novaiorquina Blue Note. Num terreno onde já tinham florescido filiais da hamburgueria Burger Joint (em São Conrado e no Bossa Nova Mall, no Aeroporto Santos Dumont) e do dining club Bagatelle (no Jockey Club, na Gávea) —, ambos nascidos em Nova York.

— Cultura pulsante no Brasil, o Rio de Janeiro é um grande centro, por mais que São Paulo também tenha. E Nova York é a cidade mais cosmopolita do mundo, um caldeirão cultural gigantesco. Vejo muita similaridade entre as duas realidades — compara Luiz André Calainho, um dos sócios do Blue Note Rio.

Outro sócio é Daniel Stain, que também enxerga semelhanças entre os estilos de vida carioca e novaiorquino — principalmente dos músicos:

— Qualquer músico, quando termina uma noite, sabe que tem que ir para o Smalls, no Greenwich Village. É onde eles fazem jam sessions, que me lembram muito as rodas de samba aqui do Rio.

Criado em 1981 em Nova York, o Blue Note abrigou mestres como B.B King, Ray harles, Stanley Jordan e Quincy Jones. No Rio, já estão agendados shows de grandes nomes no jazz americano como Chick Corea e Chris Botti, além de artistas brasileiros consagrados como Sam Mendes e Baby Consuelo.

— Nossa casa vai permitir que a gente fusione a arte brasileira com a arte internacional. Não haverá no mundo um Blue Note como o do Rio — aposta Calainho.

Outro patrimônio da noite novaiorquina que foi “importado” para o Rio foi o dining club Bagatelle, um restaurante de alta gastronomia que, com o avançar da noite, esmaecer da luz e aquecimento da música, vai se transformando em casa noturna.

A certa altura, no auge da animação, um garçom costuma adentrar o salão para servir pedidos mais “robustos” (como garrafas de espumante) vestidos de super-heróis, como Batman, Homem de Ferro e Superman. Mas a noite tem hora para acabar: às 2h, o DJ dá vez a “New York, New York”, de Frank Sinatra: é o toque de recolher.

Já o Burger Joint trouxe o toque urbano da Big Apple para a paisagem do Rio. As paredes são pichadas e cobertas por cartazes de cultura pop, e as mesas são rabiscadas.

— Achei a decoração super rock n’roll. E me amarrei na playlist, estava tocando Rolling Stone. Não esperava encontrar um lugar assim no Rio — diz o representante comercial curitibano Marcos Costa, que lanchava na casa do Bossa Nova Mall, enquanto esperava o voo de volta para a terra natal.

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