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Viagem de Crivella custou R$ 130 mil aos cofres

Sob críticas desde que deixou o Rio para uma viagem à Europa durante o carnaval, o prefeito Marcelo Crivella gastou, de acordo com dados fornecidos ontem pelo próprio município, cerca de R$ 130 mil com passagens na classe executiva e diárias. Além dele, a comitiva é composta por quatro pessoas — duas não receberam diárias, de acordo com a assessoria do prefeito, apenas as passagens. O périplo oficial por três países — Alemanha, Áustria e Suécia — teria como objetivo buscar tecnologia de ponta para colaborar com o combate à violência, embora a área seja atribuição do estado e não do município. A volta do grupo, que deverá prestar contas à Câmara de Vereadores, chegou a ser anunciada para ontem pelo próprio Crivella, em vídeo postado em redes sociais, mas só deve acontecer hoje.

Uma das escalas que tem suscitado mais polêmica foi na Agência Espacial Europeia (ESA), aonde o prefeito informou ter ido para verificar a possibilidade de usar drones no controle urbano. Ele chegou gravar um vídeo com um pesquisador do órgão. A agência, que fica na cidade alemã de Darmstadt, informou ao GLOBO, no entanto, que a visita teve caráter privado.

Apenas na noite de ontem, após dois dias de pedidos reiterados do jornal, a prefeitura informou os gastos de Crivella com a viagem. Além do prefeito, estão na comitiva o chefe executivo do Centro de Operações Rio (COR), Guilherme Sangineto, o diretor-presidente da Empresa Municipal de Informática (Iplanrio), Fábio Pimentel de Carvalho, e o coordenador de Inteligência da PM, coronel Antônio Jorge Goulart. Ontem, foi divulgado que uma quinta pessoa se integrou ao grupo, o engenheiro industrial Luis La Torre, sem dar mais detalhes.

Engenheiro também viajou

Desde de que tomou posse como prefeito, Crivella passou 36 dias em viagens oficiais, segundo a TV Globo, em três continentes: Europa, Ásia e África. Na Rússia, ele disse que buscava parceria para projetos urbanísticos, mas, até agora, os projetos com empresários do país não decolaram. Na Holanda, Crivella participou de uma conferência internacional de ciclistas, a Velo-City, que acontecerá no Rio este ano. Na França, seria troca de experiências com a prefeitura de Paris. Em Joanesburgo, na África do Sul, onde também esteve, o prefeito participou de um culto da Igreja Universal, denominação da qual é bispo licenciado, no dia 13 de outubro.

Crivella tem abastecido sua página no Facebok com vídeos pessoais. Na quarta-feira, antes da tempestade que deixou mortos, ele publicou uma gravação em que aparece falando da Suécia. “É frio pra chuchu, aqui tá gelado, é neve, mas estamos cumprindo nossa missão em busca de tecnologia para melhorar a segurança do Rio”, disse.

Ainda sobre os gastos com esta última viagem, a prefeitura garantiu que os cofres municipais não estão pagando as diárias de dois integrantes da comitiva, o coordenador de Inteligência da PM e o engenheiro industrial. Mas não esclareceu de onde estaria saindo o dinheiro dessas despesas. Perguntada, a Polícia Militar não informou se é o estado que está arcando com os gastos do oficial da inteligência da corporação. As informações sobre o engenheiro são ainda mais obscuras, já que não se sabe para que empresa ele trabalha.

Cada passagem Rio/São Paulo/Frankfurt/Viena/Estocolmo/Frankfurt/Rio custou R$ 21.545,00 ao município. A diária do prefeito é de 435,87 euros, enquanto de Sangineto e Pimentel recebem 358,03 euros, cada.

Depois de buscar drones na ESA, Crivella passou pela Schiebel, na Áustria, que também fabrica o equipamento e já teria prestado serviços à Marinha do Brasil. Por fim, o prefeito esteve em Linköping, na Suécia, onde visitou a CyberAero, concorrente da Schiebel.

Vereadores de oposição disseram ontem que vão cobrar explicações detalhadas da viagem de Crivella.

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