RIO - A prefeitura de Valença informou neste sábado que três pessoas morreram na cidade com suspeita de febre amarela. Elas moravam em áreas rurais e tinham entre 55 e 65 anos. De acordo com o município, foi coletado material para sorologia, e o resultado dos exames deve sair nos próximos dias. A Secretaria estadual de Saúde depende desses laudos para confirmar se óbitos foram causados pela doença, que já matou um morador de Teresópolis.
Em Valença, o único caso de febre amarela confirmado é de um jovem de 23 anos, que foi transferido para Resende a pedido da família e passa bem. Outras duas pessoas estão internadas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Universitário da cidade com suspeita da doença. A prefeitura intensificou a vacinação, e os postos de saúde estão funcionando todos os dias, das 7h às 19h. Também foram instaladas tendas para o atendimento da população no Centro e na rodoviária.
Na cidade de Teresópolis, foi grande o movimento nos postos de saúde neste sábado, um dia após a confirmação da morte de um morador, primeiro óbito no estado este ano. Segundo o município, 9.100 pessoas foram imunizadas, em 19 postos. As unidades funcionam de segunda a sábado, das 8h às 17h.
Principal posto de vacinação na Várzea, no Centro de Teresópolis, o Centro de Saúde Dr. Armando Gomes de Sá Couto teve fila durante boa parte da manhã. Às 10h, mais de 200 pessoas aguardavam para tomar a vacina. A espera demorava, em média, uma hora, mas quem chegava à unidade preferia aguardar.
— Tomar a vacina é rápido, mas a procura está grande. Há uns dias, ouvimos que um macaco morreu na área de preservação. O pessoal ficou em alerta. Agora, com essa confirmação (da morte de um morador), assustou mais ainda. Ontem (sexta-feira) eu recebi uns três ou quatro avisos pelo celular falando sobre isso. Não sou fã de vacina, mas a gente fica preocupado — disse o comerciante Eduardo Pacheco, de 40 anos, que tomou uma dose ontem.
A cozinheira Edna Lima, de 50 anos, preferiu mudar sua programação de sábado. Acostumada a fazer trilhas aos sábados, ela abriu mão da atividade para se proteger:
— Meu grupo está em Petrópolis hoje (ontem). Foi impactante a notícia (da morte). Preciso tomar vacina, pois a doença está aqui do nosso lado.
Apesar da preocupação com a doença, a enfermeira Luciana Machado, de 40 anos, só pôde vacinar o filho, de 9 meses:
— Ainda estou amamentando, não posso receber a dose.
Subsecretário de Vigilância em Saúde de Teresópolis, Antônio Henrique Vasconcellos da Rosa disse que muitos turistas que estavam na cidade aproveitaram para ser vacinados:
— Há turistas em Teresópolis aos sábados, por causa da feirinha (de moda), e as pessoas aproveitaram para se vacinar.
O alerta entre os moradores da cidade ocorreu após a morte de Sérgio Pinheiro, de 48 anos, no dia 7 deste mês. Este foi o primeiro óbito provocado por febre amarela na história do município e o primeiro no estado este ano. Lenhador, Sérgio deixou mulher e uma filha de dez anos, além dos pais de de seis irmãos.
— Eu estou impressionado como é fulminante. Os profissionais de saúde ficaram assustados. Foi muito rápido. Ele era muito forte, alegre. Era respeitado. Convencia pessoas a largarem drogas. Era muito querido — disse o terapeuta holístico Jayme Siqueira, de 52 anos, amigo de Sérgio.
Em fevereiro do ano passado, Sérgio tinha viajado para Minas Gerais. A mulher e a filha se vacinaram, mas ele não quis esperar na fila para ser imunizado, porque precisava ir para o trabalho.
No ano passado, foram confirmados 27 casos de febre amarela silvestre em humanos no Estado Rio, de 15 de março até 31 de dezembro de 2017, com nove mortes. Segundo a Secretaria estadual de Saúde, 12 municípios registraram casos de febre amarela em macacos desde março do ano passado.



