RIO — Um cenário de guerra na Vila Joaniza, no Morro do Barbante, na Ilha do Governador, ocupa o espaço onde até a tarde de sábado ficava um Posto de Policiamento Comunitário (PPC) da Polícia Militar. A unidade foi metralhada. Em seguida, acuados, dois policiais que estavam de plantão tiveram que ser resgatados pelo caveirão, com o apoio de um helicóptero. Traficantes bloquearam as ruas com dois caminhões da Comlurb que foram roubados na região para impedir a chegada de reforços. Rapidamente, os bandidos quebraram as paredes e roubaram portas e janelas do posto. As iniciais de uma facção criminosa foram pichadas na fachada. A PM informou que a base será desativada, para implantar “um novo modelo de policiamento”.
A equipe do Batalhão de Choque chamada para resgatar os dois policiais teve dificuldades para entrar na favela com o veículo blindado, pois os caminhões da Comlurb fechavam alguns acessos. Após intenso confronto, o Choque conseguiu retirar os reféns. Depois da saída, a unidade militar foi destruída, e imagens foram postadas nas redes sociais. Segundo a Polícia Militar, o PPC já estava em processo de desativação.
Bandido está foragido
O ataque, iniciado pouco depois do meio-dia, foi atribuído à quadrilha do traficante Wagner Barreto de Alencar, o Cachulé, e teria ocorrido porque a PM planejava fazer uma operação para acabar com um baile funk na favela. Segundo a polícia, o bandido tem um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio e é considerado foragido do sistema penitenciário desde 2016.
Ontem, a PM reforçou o policiamento no entorno do Morro do Barbante. Por volta das 15h, um veículo blindado e outro carro da Polícia Militar estavam estacionados na entrada da favela, e cerca de 20 policiais patrulhavam o local. A Polícia Civil informou que a 37ª DP (Ilha do Governador) está investigando o ataque.
Rendidos pelos bandidos, quatro garis e dois motoristas da Comlurb que trabalhavam na limpeza da comunidade tiveram que buscar abrigo em casas de moradores. O grupo ficou cerca de seis horas escondido, até deixar a favela em segurança e sem ferimentos. A companhia vai oferecer apoio psicológico à equipe. Os dois caminhões — um compactador e um veículo apropriado para coletar lixo em vielas — só foram devolvidos ontem pelos bandidos.
— Fizemos um esforço e conseguimos que os veículos fossem liberados sem danos. Vamos dar todo o suporte necessário para a equipe que ficou no meio do tiroteio — disse Rubens Teixeira, presidente da Comlurb.
Antropólogo e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Storani disse que um dos principais problemas hoje na segurança pública é a falta de efetivo. Segundo ele, os últimos concursos foram feitos para suprir a demanda por pessoal nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP):
— Existe um grave problema de efetivo policial. Deixaram de suprir os batalhões da Polícia Militar para atender ao projeto de UPP, que tinha sua finalidade e que tinha lá seus objetivos, que foram alcançados num curto prazo, mas que não se sustentou num médio prazo. Então, o curto prazo perdeu seu efeito. E a polícia está pagando um preço caro por conta disso.



