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Suspensão do ingresso de novos residentes nos hospitais universitários pode prejudicar atendimento

RIO — A decisão do Ministério da Educação de colocar “sob diligência” os dois maiores programas de residência médica do Rio de Janeiro, suspendendo o ingresso de novos residentes, pode afetar a prestação de serviços de alta e média complexidade na rede pública do estado.

O Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), em Vila Isabel, é referência em diferentes especialidades, como transplantes, e conta com cerca de 2.700 funcionários. Lá funciona, por exemplo, o Núcleo de Estudo da Saúde do Adolescente (NESA), centro de referência nacional para o atendimento, em especial, de jovens cardiopatas e nefropatas crônicos. O HUPE também dispõe dos serviços de Cirurgia Cardíaca e Transplante Renal. Ele é o único hospital público do Rio que oferece cirurgia de mudança de sexo; e tem um centro de cirurgia plástica em tratamento de anomalias crânio faciais.

O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o Hospital do Fundão, possui 262 leitos. No final dos anos 1990, eram 530. Apesar de todos os obstáculos, o hospital é referência em diversas especialidades. Nele, pacientes com Síndrome de Down, paralisia cerebral e autismo, encontram uma unidade cirúrgica. O local também é pioneiro no país, entre os hospitais públicos, em centro de diagnóstico de crises convulsivas cerebrais. Pelos seus corredores, circulam por dia cerca de mil pacientes. O número de pessoas que trabalham no prédio gira em torno em 3.500, incluindo 700 extraquadros (desses, de acordo com a denúncia, mais de 200 recebem menos de um salário mínimo) e 2.814 concursados, sendo 480 médicos. E o total de alunos da área de saúde é de 2.500.

O Ministério Público da União aponta que o hospital do Fundão vem recebendo cada vez menos recursos. Em 2016, foram R$ 82,8 milhões. Em 2013, de R$ 85,8 milhões. E, de 2014 a 2016, o número de leitos passou de 230 para 262, aumentando em 14% o custo do hospital.

Nas redes sociais, estudantes e médicos lançaram um abaixo-assinado on-line pedindo que a Comissão reveja a decisão. Até agora, cerca de 7 mil pessoas já assinaram.

“Cancelaram o Concurso de Residência Médica da Uerj no HUPE!! Apesar de todos os problemas lá é um local de excelência na formação de médicos com maravilhoso conhecimento técnico e Cuidado no atendimento! São formados médicos de verdade!!! Não podemos permitir que isso aconteça!! Essa atitude prejudicará muito os pacientes do HUPE e de todos os lugares aonde os nossos residentes irão atuar! Revejam a decisão sustando o cancelamento!”, diz o texto.

Médicos e pesquisadores afirmam ter ficado perplexos com a medida do MEC:

— Você estrangula as instituições no seu custeio, reduz recursos para incorporação tecnológica , não repõe minimamente pessoal, não faz concurso público, impossibilitando a ampliação do quadro de pessoal... Agora vem a comissão para avaliar ? E propõe fechamento? Por outro lado as performances dos programas são variadas, como a comissão pode suspender todos as especialidades? Na pneumologia fizemos o concurso e temos residentes aprovados, nossos atuais residentes estão muito satisfeitos, temos equipamentos de função pulmonar e de endoscopia respiratória aí incluído EBUS , entre outros programas que funcionam adequadamente. A Faculdade de Medicina da UFRJ tem programa de Pôs Graduação com o mais alto conceito da CAPES. Esta política de sucateamento sistemático de nossas instituições é perversa e pode ser considerado crime de lesa pátria — opinou o médico Alexandre Pinto Cardoso, que foi diretor do HUCFF até 2009.

O diretor do Sindicato dos Médicos, Alexandre Telles, também criticou a suspensão do concurso do Pedro Ernesto e da UFRJ.

— São dois hospitais que têm o viés de pesquisa, com laboratórios, cursos de extensão... E têm profissionais de referência. Este cancelamento é grave para o fluxo de pacientes. Afeta o atendimento imediato da população e, a longo prazo, vai deixar o mercado sem especialidades importantes, como neurologia.

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