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Sucessivos casos de violência no Rio preocupam entidades e comércio

RIO — A violência, que neste fim de semana prolongado levou pânico a bairros da Zona Sul e à Baixada Fluminense, deixou preocupados representantes de entidades ligadas ao turismo e ao comércio. A dois meses do início da alta temporada e das festas de fim de ano, o presidente do Clube dos Diretores Lojistas e do SindlojasRio, Aldo Gonçalves, lamenta que a cidade esteja vivendo um momento tão difícil:

— Estamos pessimistas com as vendas em dezembro. O comércio está sendo muito afetado pela violência. Diante de qualquer fato que esbarre na segurança, as pessoas evitam sair de casa. Hoje, até lojas de shoppings estão sendo assaltadas. A cidade está abandonada. Além da violência, tem a desordem urbana. Tudo isso, somado ao desemprego e ao atraso no pagamento dos salários do funcionalismo, impacta as vendas.

Os custos da violência são altos. Como informou nesta sexta-feira Míriam Leitão em sua coluna no GLOBO, no país são estimados em pelo menos R$ 362 milhões por ano, segundo cálculos do economista Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Diante desse quadro, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, diz que é preciso unir forças:

— Estou tendo constantes reuniões com as forças de segurança estaduais e federais. Queremos focar em um trabalho integrado, garantindo segurança, a fim de atrair turistas.

Presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio também aposta no turismo, incentivado pelo calendário de eventos Rio de Janeiro a Janeiro. Mas, para isso, espera pelo desenrolar de medidas:

— A Alerj precisa, por exemplo, aprovar projeto para destinar à segurança pública parte dos recursos dos royalties do pré-sal, que hoje vão para o Fundo de Conservação Ambiental (Fecam).

Os prejuízos para o setor turístico, por conta da violência, podem superar R$ 1 bilhão até o fim do ano. A estimativa é do economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

— Mesmo que a violência comece a cair, por ações de segurança, não há mais tempo de reverter o quadro significativamente este ano. Nenhuma atividade econômica é tão sensível à insegurança quanto o setor de turismo. O não-residente, diante da violência, acaba escolhendo outro destino para viajar — ressalta Bentes.

O economista coordenou um estudo que calculou em R$ 320 milhões o custo da criminalidade para o turismo do estado, de janeiro a abril deste ano.

Para fazer a estimativa, a área econômica da CNC levou em consideração a renda mensal do setor de turismo — bares, restaurantes, hotéis, transportes aéreos e rodoviários interestaduais, entre outros. A equação incluiu ainda mercado de trabalho, taxas de câmbio e de juros e índices de criminalidade.

— Entre 30% a 40% das perdas do setor podem ser atribuídas à violência — constata

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