Rio - Muita revolta e comoção marcaram o enterro do cabo do exército Bruno de Souza, no Cemitério do Caju, na Zona Portuária, na manhã deste domingo. Cerca de 80 pessoas compareceram ao velório do jovem militar de 24 anos que foi vítima de uma bala perdida no Complexo do Alemão.
Debaixo de chuva, o cortejo fúnebre foi realizado por soldados do exército, com honras militares e salvas de tiros. O pai de Bruno, Carlos de Souza, recebeu a bandeira nacional pelas mãos da tropa e fez um desabafo, aos gritos: “Obrigado ao Exército Brasileiro e que essa bandeira que recebi traga paz para a nossa comunidade”. Muito abalado, Carlos cobrou medidas da polícia e também da imprensa.
— Hoje se perdem muitas vidas de quem nunca deveu nada a ninguém. Meu filho não devia nada a ninguém. Por que ninguém se preocupou com a situação antes de acontecer a tragédia?
A mãe de Bruno, Rosa de Souza, passou mal e precisou ser amparada pelos seus familiares. Em frente ao caixão de seu filho, ela fez sua última homenagem:
— Fica bem aí. Queria voltar de noite para ficar com você.
Bruno foi o segundo atingido por um . Ele estava em casa, na localidade conhecida como Beco do Sabino, quando foi alvejado na perna. Socorrido por vizinhos, ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu ao ferimento que atingiu sua artéria femural, o que o fez perder muito sangue.
O adolescente Gustavo Silva, de 17 anos, também foi morto por uma bala perdida, na localidade de Alvorada, em Nova Brasília, quando estava saindo para trabalhar em uma padaria. Parentes de Gustavo fizeram um protesto na manhã desde domingo pelas ruas da comunidade. O irmão da vítima, o motoboy Elói da Silva Nascimento, de 29 anos, publicou em seu perfil do Facebook um registro do protesto. O enterro do Gustavo será hoje, às 15h30, no Cemitério de Inhaúma.
Além dois dois, um suspeito morreu durante o tiroteio, mas a Polícia Militar não divulgou sua identidade.

