RIO - O mau tempo e relatos de barulhos na região levaram a Secretaria de Defesa Civil de Petrópolis a evacuar 40 casas na Servidão Nelson Veríssimo Caetano, bairro Contorno, na tarde de sábado, localizada a cerca de 500 metros da Escola Leonardo Boff, isolada desde terça-feira, quando uma cratera se abriu à margens da BR-040 na altura do quilômetro 81, sentido Rio. Com isso, sobe para 95 o número de famílias desalojadas após o acidente. Na área da cratera, a área de isolamento também foi ampliada em 400 metros.
Segundo a Defesa Civil, equipes estiveram na servidão na tarde de sábado e decidiram adotar a medida preventiva depois que moradores contaram ter ouvido dois estrondos e estalos no terreno. De acordo com o secretário de Defesa Civil, Paulo Renato Vaz, a prefeitura por enquanto só está tomando medidas preventivas, “porque a concessionária ainda não apresentou os laudos técnicos sobre as condições do solo na área do deslizamento, nem em outras áreas onde houve escavações e obras para construção do túnel.”
Moradores foram encaminhados para o centro de promoção social Aldeia Rio e o salão da Igreja Wesleyana, no bairro do Contorno. Algumas famílias, preferiram ir para casa de parentes ou para um hotel pago pelo Concer. Neste domingo, a área do desabamento continua isolada e nenhum morador foi autorizado a entrar. Angélica Domingas Proença, diretora da escola, neste domingo tentou ir ao prédio do colégio para avaliar que materiais poderão ser levados para o edifício alugado pela concessionária.
— Não pudemos entrar porque a defesa civil aumentou a área de interdição e não está permitindo, por segurança, que nem mesmo os moradores de casas que não estavam em área de risco entrem para buscar nada. Fomos lá e vimos, pela imagens de um drone, que a área afetada continua a mesma. A princípio, não houve nenhuma mudança, nem aumentou o buraco. Vamos aguardar para ver quando poderemos ir até a escola, porque queremos filmar o edifício e ver o que poderá ser levado para as novas instalações. Como foi acordado, a Concer alugou um novo prédio para a escola funcionar e terá que se responsabilizar pelo transporte dos estudantes — conta Angélica.
No sábado, um grupo de voluntários fez um mutirão para limpar o prédio, localizado no bairro Duarte da Silveira, a cerca de 1,5 quilômetros da Escola Leonardo Boff.
— Hoje nós fomos de novo no prédio para ver detalhes como a parte elétrica e de água. E amanhã faremos nova limpeza. Queremos preparar a escola para que as aulas sejam retomadas logo depois do feriado, dia 16. Ficamos muito satisfeitos porque conseguimos manter todos os 72 alunos juntos. Inicialmente, a Secretaria de educação queria separar as turmas, mandando alunos para outras escolas da cidade. Isso seria mais um prejuízo emocional para estas crianças, que já tiveram o trauma de ter que deixar suas casa. Esperam reiniciar as aulas e tentar restabelecer parte da normalidade na rotina dos estudantes — diz Angélica, que vistoriando o novo endereço neste domingo, junto com o marido, Paulo Proença, diretor da Associação de Pais e Professores da Escola Municipal Leonardo Boff.
Por meio de uma ação judicial impetrada na 4ª Vara Civel, a prefeitura garantiu que a Concer seja obrigada a dar assistência as 55 famílias que precisaram deixar suas casas após o deslizamento às margens da BR-040 na terça. Segundo a prefeitura, a Procuradoria Geral do município e a Defensoria Pública pedirão a inclusão destas outras 40 famílias no processo.


