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Rua Garcia D’Ávila ganha associação formada por empresários para recuperar glamour perdido

RIO - Endereço de grifes como Hermès, Louis Vuitton e H.Stern, a Rua Garcia D’Ávila já foi mais cobiçada pelo mercado de luxo. Considerada a nossa Rodeo Drive, a via de Ipanema, até pouco tempo, era a mais valorizada da América do Sul para o comércio. Mas, no fim do ano passado, uma pesquisa internacional revelou que seu prestígio caiu para o quarto lugar, cedendo espaço para a paulistana Oscar Freire brilhar no topo.

Abalada pela crise, a rua, que perdeu recentemente a joalheria Antonio Bernardo, também deixa a desejar na conservação pública. Cansados de se queixar da crise financeira, da limpeza precária, da falta de poda das árvores e de falhas na iluminação, comerciantes arregaçaram as mangas e se uniram no que já chamam de Comunidade GD, associação que está sendo criada, como informou o jornalista Ancelmo Gois, em sua coluna no GLOBO.

— Estamos fazendo um site, precisamos existir digitalmente, ter um planejamento para redes sociais e criar um guia bacana para ser distribuído nos principais hotéis. É preciso sensibilizar as pessoas para a importância do comércio de rua, especialmente num momento de baixo astral. A rua mudou. As pessoas sumiram, o carioca não anda mais por aí. Simples assim — afirma Rodrigo Aquim, dono da marca de chocolates artesanais com o sobrenome da família, que deu o pontapé inicial na ideia.

A associação já reúne 18 marcas e restaurantes, como Louis Vuitton, Lenny, H.Stern Home, o bar de tapas ¡Venga! e o café Alessandro e Frederico. Os planos são ambiciosos. A partir de março, deve começar a sair do papel um planejamento para atrair público. Será negociado com a prefeitura o fechamento da rua, entre a Barão da Torre e a Visconde de Pirajá, para eventos de música e arte, um sábado a cada mês.

Outra ação tem foco na questão urbanística. Para Lenny Niemeyer, falta conservação das calçadas e dos canteiros. Fabrizio Giuliodori, dono do Alessandro e Frederico, defende um projeto urbanístico novo.

— Não há banquinhos para quem passeia por aqui, como na Oscar Freire — diz o empresário, observando que o objetivo é um projeto descontraído, não copiar São Paulo.

Presidente da Associação Comercial dos Jardins (que começou com a Oscar Freire, em 2004), Rosangela Lyra dá a dica: lá, há apoio de patrocinadores e da prefeitura. Os móveis de madeira da coirmã paulistana fazem parte de um projeto de revitalização, e a parceria com órgãos públicos garante limpeza e segurança. Segundo a consultoria Cushman & Wakefield, o metro quadrado na Garcia, derrubado pela crise, está cotado a R$ 181 mensais (há dois anos, era R$ 325). Na Oscar Freire, é R$ 221 ao mês: cresceu 5% em relação a 2016.

— A pessoa vai à rua para se sentar, comer, conversar e acaba comprando — diz Rosângela, ex-presidente da Dior no Brasil, também conhecida como “prefeitinha” da Oscar Freire.

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