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Rio de Janeiro

Resposta lenta de órgãos municipais aumenta a confusão na cidade

RIO - O temporal que atingiu a cidade mostrou que a prefeitura não só investiu pouco em prevenção como também não tem capacidade de reagir com rapidez para resolver os problemas. Com a demora no atendimento aos casos de emergência, o caos se instalou em vários bairros. Na Avenida Brasil, uma das principais vias da cidade, os agentes demoraram mais de seis horas para retirar uma árvore que caiu sobre a pista, na altura de Ramos.

Ao meio-dia, ainda havia bloqueio em Manguinhos, devido a um bolsão d'água. Na Linha Vermelha, nos quilômetros 8, 10 e 12, no sentido do Centro, também houve demora para a retirada de árvores. O resultado: 82 quilômetros de congestionamento na cidade, às 9h.

Na Avenida Gomes Freire, em frente à sede da Chefia de Polícia, no Centro, bombeiros e garis demoraram pelo menos 17 horas para retirar uma árvore que caiu sobre um táxi que transportava quatro passageiros. O taxista Erivan Faria Maciel contou que passava pelo cruzamento com a Rua da Relação, por volta das 23h30m de quarta-feira quando a árvore caiu sobre o carro. Não houve feridos, mas o prejuízo foi grande: Erivan tinha vendido o táxi por R$ 28 mil e entregaria o veículo ao novo dono na segunda-feira:

- Ligo para os bombeiros, que já vieram cortar uma parte da árvore, e para a Defesa Civil, e um joga a responsabilidade para o outro. Além do susto, estou lidando com a dificuldade para remover o carro.

A Comlurb informou que estava atuando para retirar árvores caídas em mais de 61 ruas. Já os bombeiros explicaram que a prioridade era atender às ocorrências que envolviam risco de vida.

Quem optou por transportes públicos também não teve sorte: o serviço de trens ficou toda a manhã prejudicado. Já os BRTs tiveram intervalos irregulares. O VLT também teve seu funcionamento interrompido em alguns trechos. Só o metrô operou normalmente.

A prefeitura também demorou para chegar a Guaratiba, onde dezenas de ruas da comunidade Jardim Maravilha ficaram cobertas pelas águas. O Rio Piraquê transbordou, e casas foram alagadas. Crianças chegaram a usar pranchas para "surfar" num campo de futebol. Um agente do Corpo de Bombeiros usou um barco para resgatar famílias.

- Perdi fogão, geladeira, cama, armário, meus documentos e as certidões de nascimento dos meus filhos, de 1 e 3 anos. Consegui algumas roupas para mim, mas nada para as crianças. Vamos dormir na casa de uma prima. Só Deus sabe o dia de amanhã - contou a vendedora Andrea dos Santos.

Com a casa inundada, a gari Sílvia Azevedo não tinha para onde ir com os dois filhos, de 12 e 14 anos:

- Ficamos apavorados e saímos pela rua em busca de um lugar seguro.

Indignado, o eletrotécnico Jefferson Soares usava um balde para tirar água da casa. Ele tinha acabado de investir R$ 20 mil na reforma do imóvel.

- O rio transborda por falta de dragagem. As manilhas são muito antigas e não dão conta do volume de água. Ninguém faz nada. Liguei para a Defesa Civil cedo, mas ninguém apareceu. E o prefeito ainda está na Europa.

Por volta das 15h, o secretário municipal de Conservação e Meio Ambiente, Jorge Felippe Neto, visitou a área atingida. Segundo ele, a prefeitura fará estudo para resolver o problema da região.

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