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Refugiada nigeriana ganha chá de bebê

RIO - Lateefat Adunni Hassan, de 38 anos, é uma nigeriana que chegou há dois anos no Rio com a filha menor, Thekiyat, de 7 anos, fugindo do temido Boko Haram (grupo fundamentalista islâmico responsável pelo sequestro de 276 mulheres e crianças, que chocou o mundo). Agora, grávida de quase nove meses, ela conta com a solidariedade de outros refugiados e também dos cariocas para superar as dificuldades financeiras. Neste sábado, Lateefat, que é uma cozinheira de mão cheia — seus pratos são tipicamente nigerianos, como o akara, um bolinho que lembra muito nosso acarajé —, ganhará um chá de bebê: será na feira do coletivo Chega Junto, que vai das de 10h às 17h, na Rua Real Grandeza 99, Botafogo (nos jardins da Christ Church Rio).

O evento é organizado pelo Chega Junto, que reúne chefs refugiados e também migrantes em situação de vulnerabilidade, pelo Refoodgees e pela Cáritas, que lançou este mês com a “Campanha chá de bebê das mães refugiadas”.

— Toda ajuda é bem-vinda — diz Lateefat, que quase não fala português e ainda não escolheu um nome para seu filhinho, um menino.

Quem quiser contribuir, pode levar itens para o bebê, como fraldas, roupinhas e lenços umedecidos. Com a proximidade do parto, previsto para o final de dezembro, outra preocupação de Lateefat, que sustenta sozinha ela e a filha, é conseguir pagar o aluguel de R$ 500 da casa onde vive, em Jacarepaguá. Em breve, ela terá que parar de trabalhar. Por isso, doações em dinheiro também são bem-vindas. A chef, que integra o Chega Junto, vivia no Norte da Nigéria e trabalhava em seu país com bufês. Aqui, ela tenta aplicar a mesma experiência na cozinha.

Seu maior sonho é ter dinheiro suficiente para conseguir trazer seus três filhos que ficaram na Nigéria. Ao GLOBO, ela contou recentemente um pouco da sua história:

— Eu vivia no Norte da Nigéria com meu ex-marido e tivemos problemas lá com o Boko Haram. Entraram na nossa casa, e eu tive que me esconder. Feriram meu ex-marido. Depois eu vivia sempre doente e com medo, e minha família quis que eu saísse do país. Consegui um visto brasileiro e vim com a minha filha — lembrou a refugiada, encaminhada pela Polícia Federal para a Cáritas, onde recebeu ajuda.

Entre outras delícias que saem da panela da nigeriana, estão o apimentado arroz jollof e o nigerian beans, com feijão fradinho, banana da terra e camarão, e o puff puff, que nada mais é que o nosso bolinho de chuva.

O evento de amanhã do Chega Junto terá representantes do Líbano, Peru, Haiti, Camarões, Nigéria, Marrocos, Venezuela, Congo e Paquistão. Os artistas colombianos Leo e Ninibe farão pinturas com as crianças. E, encerrando a última feira de 2017, haverá show do Sambajazz.

Doações para Lateefat podem ainda ser feitas na Sede do Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio, na Cáritas RJ, que fica na Rua São Francisco Xavier 483, Maracanã. Das das 9h às 17h, de segunda a sexta- feira. Outro ponto de coleta fica na Rua Eurico Cruz 64, Jardim Botânico.

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