RIO - Por fora, ele continua vermelho, mas a unidade dos bombeiros na Gávea é, na verdade, um "quartel verde" desde o ano passado. O local se tornou uma referência em sustentabilidade depois que o capitão Leonardo Pinho Pereira e Souza desenvolveu um sistema para captação da água da chuva, usada agora nos sanitários e na limpeza das viaturas. Ele também começou a reutilizar o óleo de cozinha para fabricar sabão e passou a cultivar duas hortas - uma hidropônica e outra convencional. Os cem homens da tropa se alimentam do que é produzido no 25º GBM.
A onda verde teve um empurrãozinho da crise no estado, explica Pinho Souza:
-Em 2015, o governo instituiu um decreto pedindo uma redução de até 20% nas despesas dos órgãos públicos. Como faço mestrado no Instituto Militar de Engenharia (IME) e estava cursando uma matéria de meio ambiente em áreas militares, decidi pesquisar maneiras de contribuir com o ecossistema e o quartel e ainda cumprir o objetivo de diminuir os gastos - explicou.
As iniciativas têm dado bons resultados. Comparando maio desse ano com o mesmo período do ano passado, houve uma redução de 50% no consumo de água do quartel. Apenas nos primeiros seis meses de implantação, a unidade economizou quase R$ 4 mil com a utilização da água da chuva para abastecimento das caixas dos sanitários e para a limpeza das viaturas. No período, foram reutilizados cerca de 264 mil litros de água.
O consumo de óleo pelos oficiais era de 15 litros por mês. Agora, a quantidade é convertida em sabão líquido, usado na limpeza do quartel e da cozinha.
-Nós deixamos de descartar 15 litros de óleo no meio ambiente. Como aqui na Gávea tem coleta seletiva, nós separamos todo o lixo. E colocamos avisos de conscientização do uso de luz próximo aos interruptores, reduzindo o consumo em 2.202 kWh - diz o tenente-coronel Tarciso Antônio de Salles Júnior.
Além dessas iniciativas, Pinho Souza e Tarciso estão planejando a implementação de um sistema de captação de água da chuva mais complexo. O objetivo é reutilizar a água nos caminhões dos bombeiros, que atualmente têm capacidade para cinco mil litros e consomem água potável.
-Nós estamos buscando parcerias com a iniciativa privada para que esse projeto possa sair do papel, já temos um esboço. É desperdício gastar água potável para apagar incêndio. Escolas púbicas vêm nos visitar frequentemente, nós demonstramos as atividades dos bombeiros, que as crianças adoram, e mostramos nossas iniciativas. Nosso objetivo também é social, de educar. Queremos passar a mensagem da sustentabilidade - diz o tenente-coronel. - Até um colégio de Belo Horizonte ligou recentemente para o quartel para pedir que os alunos possam visitar a corporação aqui no Rio.


