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Rio de Janeiro

Prefeitura não apresenta plano para longa fila de exames

RIO — No fim de janeiro, a prefeitura começou a realizar mutirões para tentar reduzir a fila de espera por cirurgias na rede municipal de saúde, mas, até agora, não anunciou medidas para agilizar a realização de exames. Levantamento feito pelo GLOBO em janeiro mostrou que pelo menos 25.087 pessoas esperam por uma vaga em unidades da Secretaria municipal de Saúde. A situação dos pacientes é agravada pelo fechamento temporário do Rio Imagem, o mais importante centro público de diagnóstico do estado. Logo que tomou posse, o titular da pasta de Saúde no município, Carlos Eduardo de Mattos, foi incumbido pelo prefeito Marcelo Crivella de apresentar, em 30 dias, um plano para reduzir a demanda por exames, a exemplo do que já ocorre em São Paulo, com o chamado Corujão da Saúde, em que profissionais fazem atendimentos à noite e de madrugada, em parceria com hospitais particulares. Nesta quarta-feira, procurado pelo GLOBO, ele não informou se já foi tomada alguma providência.

No Rio, entre as estratégias que foram anunciadas no mês passado estavam a criação de uma central de regulação única, com a integração entre município, estado e União (incluindo os hospitais universitários), e a convocação de prestadores de serviço do Sistema Único de Saúde (SUS). Também estava previsto um acordo com operadoras de planos de saúde que tivessem dívidas de ISS com a prefeitura. Em troca, essas empresas atenderiam pacientes na fila dos hospitais particulares.

De acordo com os dados de janeiro, as quatro maiores filas são para ecocardiografia transtorácica (6.528 pessoas), endoscopia digestiva (4.279), doppler venoso (3.633) e ultrassonografia transvaginal (2.757).

A espera por cirurgias na rede municipal também é grande. O aposentado João Lopes de Almeida Filho, de 71 anos, aguarda desde maio de 2016 por uma vaga. Nas unidades públicas e particulares pelas quais passou, ele foi diagnosticado pelos médicos com catarata e descolamento de retina. Constataram a necessidade urgente de realizar uma vitrectomia no olho direito. Os exames obrigatórios para o procedimento, como o de sangue, por exemplo, já foram feitos. No entanto, com a demora no atendimento, eles venceram.

— Não enxergo direito, só vejo vultos. Preciso de ajuda para ir à rua, porque sozinho é perigoso. Tenho minhas limitações, e, quanto mais o tempo passa, só piora. Quero trabalhar, pode ser em qualquer coisa. Ficar parado me deixa ansioso — diz.

A Secretaria de Saúde informou que o mutirão de cirurgias eletivas, iniciado em janeiro em nove unidades de urgência e emergência da cidade, atendeu, em três fins de semana, 248 pessoas.

Secretaria assume Rio Imagem

O Rio Imagem, que pertence ao Estado e realizava cerca de 800 exames por dia, fechou as portas na semana passada, depois que profissionais entraram em greve, denunciando as más condições de trabalho e o atraso de dois meses nos salários. Na terça-feira, o futuro da unidade ficou ainda mais incerto, quando funcionários da Prol, que presta serviço ao centro de diagnóstico, foram demitidos. Sem data definida para voltar a funcionar plenamente, a Secretaria estadual de Saúde assumiu ontem, em caráter emergencial, a operação do centro até a contratação de uma nova empresa. Enquanto isso, equipes da secretaria farão a entrega de laudos já impressos e também o reagendamento de exames. A concorrência para escolher uma nova empresa deve acontecer em 30 dias.

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