RIO - Uma empresa especializada em logística, de um grupo com sede em São Paulo e filias espalhadas pelo país, presta desde o ano passado o serviço que o prefeito Marcelo Crivella sugeriu aos diretores de unidades de saúde que eles fizessem. A Pronto Express Logística Ltda foi contratada emergencialmente por R$ 13 milhões, para armazenar remédios e vacinas e distribuí-los a toda a rede municipal. O contrato, que não teve licitação, foi assinado em 21 de outubro de 2017 e vai vigorar até o próximo dia 19 de abril.
— Isso merece ser investigado. Vou procurar na segunda-feira o Tribunal de Contas do Município (TCM), para que o órgão faça uma inspeção no contrato. Além disso, vou pedir ao TCM que vá até a empresa saber se ela está funcionando de forma adequada. Parece estranho o prefeito estar pedindo aos diretores que façam um serviço de uma empresa que foi contratada para isto — disse o vereador Paulo Pinheiro (PSOL), da Comissão de Saúde da Câmara Municipal do Rio, ao ter acesso ao contrato.
Subsidiária do Grupo TPC, de São Paulo, a Pronto Express funciona num grande terreno da Estrada dos Bandeirantes. O local é uma espécie de condomínio, cercado de seguranças, onde ficam as sedes de outras 20 firmas. Procurados pelo GLOBO, os responsáveis pela empresa não quiseram se pronunciar. O contrato firmado pela prefeitura prevê a “prestação de serviço de armazenamento, controle de estoques, triagem de pedidos, separação, embalagem, expedição e distribuição de medicamentos, correlatos, insumos, vacinas e demais materiais médico-hospitalares”.
Para médico, um absurdo
O médico Carlos Vasconcellos, do Centro de Saúde Samora Machel, que fica na Favela Nova Holanda, na Maré, afirmou que a proposta apresentada pelo prefeito é absurda:
— Imagina, por exemplo, o diretor da minha unidade entrando na Maré com o carro cheio de medicamentos caros? Outro diretor pegando o metrô cheio de remédios. Outro indo de ônibus. É muito absurdo. O prefeito não sabe o faz nem tem noção do que está falando. São declarações que não fazem sentido.
Na quinta-feira, ao visitar uma clínica da família no Rio Comprido, Crivella disse que a violência era a causa da falta de medicamentos nas unidades de saúde que ficam em áreas de risco. Como solução, ele sugeriu aos diretores que fossem ao depósito em Jacarepaguá buscar os remédios.
Desde o ano passado, as unidades de saúde da rede municipal enfrentam uma falta crônica de medicamentos e insumos básicos. O problema afeta desde a rede básica aos grandes hospitais gerais, como o Rocha Faria, em Campo Grande, e o Pedro II, em Santa Cruz. Segundo três diretores de clínicas da família ouvidos ontem, faltam antibióticos e insumos, como material para fazer curativos. Reclamam ainda que não há remédios para tratar pacientes psiquiátricos.
Além da falta de material, funcionários de grande parte das clínicas da família estão com salários atrasados. Os médicos dessas unidades planejam uma greve parcial a partir de segunda-feira.



