O GLOBO: O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já se manifestaram. A volta de traficantes como Fernandinho Beira-Mar não poderia agravar a situação do estado?
Anginaldo Oliveira: O argumento da segurança pública é válido nos limites da lei. Não podemos admitir, em caráter permanente, uma situação que é excepcional, como argumento para violar a Constituição. Hoje, no Brasil, todos pregam o respeito à lei, à Constituição, aos direitos. Por que preso não pode reclamar? Tudo o que estamos pedindo é que não se percam de vista os princípios do direito penal humanitário. Estamos esquecendo toda a história da Humanidade porque as autoridades não sabem lidar como uma situação local?
O senhor é a favor das medidas para criar mais restrições para os presos?
Na nossa avaliação, a ideia de tornar o sistema penitenciário mais rigoroso, em que os presos não podem ter contato com a família, é a negação dos direitos constitucionais.
O senhor é contra o contato com o preso apenas no parlatório?
O contato pessoal, o abraço, sobretudo das crianças, é da pessoa humana. Quando você está em situação de fragilidade, precisa de um abraço amigo. Se estão sob vigilância de câmaras e de agentes do Estado, como como vamos tirar isso das pessoas, dos filhos, do pais? Isso não resolve o problema da segurança pública no Brasil ou em lugar nenhum.

