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Por causa de surto de hepatite A, prefeitura fecha distribuidora de água e restaurante no Vidigal

RIO - Uma distribuidora de água e um pequeno restaurante no Morro do Vidigal foram interditados na manhã desta quinta-feira por agentes da Vigilância Sanitária e das secretarias de Conservação e Meio Ambiente e de Ordem Pública da prefeitura. Nos dois locais foram encontrados focos do vírus da hepatite A em análise feita pela Fiocruz na água da marca Ouro da Serra, vendida pela distribuidora em galões de 20 litros, e no mesmo produto de um poço artesiano nos fundos do Salle’s Bar, que fica no número 759-A da Avenida Presidente João Goulart, a principal via da comunidade, que fica no Leblon. Na tarde de quarta-feira, a prefeitura já havia retirado o chuverinho da Praia do Vidigal, em frente ao Hotel Sheraton, em cuja água, também analisada pela Fiocruz, também foi constatada a presença do vírus da hepatite A.

Foram retirados da distribuidora e levados para um depósito da prefeitura na Avenida das Nações, em Bonsucesso, 169 galões de 20 litros de água da marca Ouro da Serra, fornecedora localizada no distrito de Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Por isso, o secretário municipal de Conservação e Meio Ambiente, Jorge Felippe Neto, que acompanhou a ação, determinou a notificação da Vigilância Sanitária do estado para uma possível inspeção na empresa. O rótulo do produto identifica a fonte da água como General João Maria de Linhares. Também foram recolhidos no local várias garrafinhas plásticas com água das marcas Hélios e Saquá.

Colocadas num caminhão, agentes da Vigilância Sanitária perceberam que o lacre dos galões estavam frouxos, com sinais de violação.

- A gente não pode precisar (o que aconteceu), vai necessitar de uma avaliação maior. Uma vez identificado pela Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde que houve um ponto positivo aqui do vírus da hepatite, a gente imagina que, talvez, algum tipo de reinvazamento (possa ter havido). É possível que as condições sanitárias não tenham sido adequadas, que tenha havido violação do lacre, o reinvazamento dessa água. Tudo isso pode ter prejudicado e criado a condição perfeita para a proliferação (do vírus da hepatite A). E notificamos também a Vigilância Sanitária estadual para que vá à fonte originária para fazer a sua avaliação - observou o secretário Jorge Felippe Neto.

A poucos metros de distância fica o Salle’s Bar, que também foi interditado. Com uma promoção nesta quinta-feira em que oferecia prato feito com refresco por R$ 12, os proprietários ficaram frustrados com o fechamento forçado do estabelecimento pela Vigilância Sanitária. Ao baixar as portas, o filho da proprietária xingou os agentes da prefeitura.

- As pessoas não entendem o nosso trabalho. Estamos tentando proteger a saúde da população. A cisterna do restaurante está em obras, quase pronta. Ela começou logo após a coleta de material para análise. Mas como a análise da Fiocruz apontou este lugar como tendo sido um dos pontos com o vírus da doença vamos interditar temporariamente até que novas análises sejam feitas e que tudo fique seguro para todos, especialmente para os clientes do restaurante - comentou o sanitarista Luiz Carlos Coutinho, da Vigilância Sanitária do município.

Ao lado do restaurante, os fiscais da Secretaria de Meio Ambiente se depararam com um passarinho engaiolado. Tratava-se de um tiê-sangue, ave-símbolo da Mata Atlântica.

Na Praia do Vidigal, muita gente já sabia, na manhã desta quinta-feira, da retirada do chuveiro que ficava junto ao muro do Hotel Sheraton. E havia frequentador apreensivo.

- Um pouco antes do fim do ano tomei banho no chuveiro e bebi água. Sempre fiz isso. Mas, ainda bem que não me fez mal. Isso não pode ficar assim. É preciso melhorar. O pior é que lá no Vidigal tem muita água estranha. Tem uma fábrica de gelo sinistra lá - disse Júlio César Meirelles, de 47 anos, ajudante de pedreiro e morador do morro.

Mãe de pequena Maria Luiza, de 7 meses, Isabela Dias, de 35 anos, acabou de chegar de Belém do Pará e está assustada.

- Eu achava que era na favela inteira. Fiquei muito preocupada. Eu só tomo água mineral com gás. E a dela (de Maria Luiza) eu fervo - disse ela, prevenida.

A notícia sobre os casos de hepatite A detectados em moradores do Vidigal deixou a população apreensiva e mudou hábitos. Funcionário de uma empresa de refrigeração, Bruno Botelho, de 36 anos, desceu o Vidigal com o filho, Caio, de 10 anos, para comprar água no Leblon, no fim da manhã desta quinta-feira.

- Há quatro anos comprova água na distribuidora que foi interditada. Agora não vai dar mais. Não vou colocar minha família em risco. Desde ontem (quarta-feira) estou comprando água fora da comunidade. Comprava 20 litros aqui por R$ 7. Lá fora é mais caro, mas ponho minha família em risco - disse ele enquanto caminhava até o carro.

Já o motorista Carlos Alberto do Rosário Rosendo, de 59 anos, subiu parte da Avenida Presidente João Goulart com um galão de 20 litros nas costas. Ele também comprava água na distribuidora fechada, embora seja cliente da Cedae.

- Eu não confio nesses filtros. E agora tenho mais um motivo para me proteger. Não compro mais em distribuidoras daqui. Agora, estou abastecendo o garrafão no bebedouro da lavandaria onde trabalho. É melhor assim.

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