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Polícia investiga relação da morte de moradora de rua com justiceiros exaltados em redes sociais

RIO - Um grupo suspeito de fazer justiça com as próprias mãos, e que nas redes sociais tem sido apresentado como a "turma da massagem", será investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital e pela 12ª DP (Copacabana).

A Polícia Civil quer saber se o bando está agindo de fato em ruas da Zona Sul - conforme anunciado em páginas como Alerta Leblon, Alerta Botafogo e Alerta Copacabana, que têm o mesmo administrador - e se o lutador de MMA Cláudio José Santos, de 37 anos, e o estudante de medicina Rodrigo Gomes Rodrigues, de 24, mantêm alguma relação com a gangue.

Os dois foram presos quarta-feira pela morte da moradora de rua Fernanda Rodrigues dos Santos, de 40 anos, em Copacabana. Os alvos dos justiceiros seriam principalmente pedintes, flanelinhas e outras pessoas que perambulam pela região.

- Pedi para os policiais investigarem o caso. Abrimos uma verificação preliminar de inquérito e vamos localizar e ouvir o autor das mensagens - disse o delegado Gabriel Ferrando, titular da 12ª DP, acrescentando que, até o momento, não detectou a existência de um grupo organizado para agredir e executar moradores de rua: - O que posso afirmar é que no caso aqui de Copacabana eu não detectei, ainda, um movimento para agredir ou exterminar quem vive nas ruas. Agora, é claro que nada será descartado.

Segundo o delegado titular da DH, Daniel Rosa, a unidade já apurava se Fernanda foi vítima de crime de ódio:

- Temos conhecimento de que existiram, em outras oportunidades, agressões a moradores de rua na Zona Sul. Estamos tentando identificar a ligação desses dois criminosos (Cláudio e Rodrigo) com esses grupos de extermínio, que têm essa ideologia errada e combatida pela Polícia Civil de tentar tirar de forma violenta e equivocada aqueles moradores de rua da região. Algumas informações após a prisão deles, com a colaboração da sociedade, das redes sociais e da mídia em geral trouxeram informações de sites que divulgam esse tipo de violência.

No Facebook, páginas que costumam divulgar informações sobre a rotina dos bairros têm sido usadas para incitar a violência. Numa postagem de 5 de novembro, na Alerta Copacabana, o texto começa com a pergunta: "Os moradores do Leblon estão acordando. O que é que os de Copacabana estão esperando? Na sequência, o autor relata que "um vagabundo" que cobrava R$ 10 de estacionamento irregular próximo a um bar no Leblon foi levado para a Rua Rainha Guilhermina. Ele encerra a postagem com uma ameaça: "Aplicamos uma boa massagem e avisamos que, se voltasse aqui, a próxima seria até dormir".

Numa publicação da Alerta Leblon, mulheres que costumam pedir dinheiro nas ruas acompanhadas de crianças são chamadas de "vadias" e integrantes da gangue das fraldas. Uma postagem de 11 de novembro faz um pedido: "Alô turma da massagem, agora que mulheres têm os mesmos direitos dos homens, essas exploradoras de crianças podem receber tranquilamente uma massagem lebloniana".

Nas postagens, é comum comentários de apoio, mas há muitas críticas à forma como a população de rua é tratada. Uma seguidora da página até diz concordar que é "é horrível andar na rua com uma pessoa pedindo a cada passo (...) mas incentivar a violência contra mulher já é demais, não?".

Administrador das páginas Alerta (Leblon, Gávea, Ipanema, Copacabana e Botafogo), Pedro Fróes disse que, quando cita a "turma da massagem" em suas publicações, é para denunciar criminosos e não moradores de rua. Em conversa com O GLOBO por Whatsapp, ele disse que em momento algum publicou algo que incitasse a violência. No entanto, afirmou que se ficar sabendo que um bandido tomou uma surra, não vai ficar triste, muito pelo contrário.

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