RIO - Impedido de contratar novos médicos residentes desde o início de janeiro, o Hospital Pedro Ernesto ganhará um socorro de R$ 3,5 milhões do Governo do Estado do Rio de Janeiro através da Secretaria Estadual de Saúde. O novo repasse é uma tentativa de adequar a unidade de saúde às solicitações feitas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CRNM) para que novos alunos possam voltar a ingressar no programa de residência. A novidade foi anunciada pelo secretário Luiz Antonio Teixeira Júnior na manhã desta segunda, em coletiva de imprensa realizada no anfiteatro do hospital.
Na próxima sexta, a CNRM vai vistoriar o hospital para verificar se houve adequação no número de leitos (a unidade chegou a operar com apenas 150 dos 512 possíveis) e no pagamento das bolsas dos residentes (com parcelas de dezembro de 2017 ainda em atraso). Após a visita técnica, será produzido um relatório a ser enviado para a plenária da comissão. As próximas reuniões que podem mudar a situação do Pedro Ernesto acontecem nos dias 24 e 25 de fevereiro, menos de 10 dias antes da data estipulada para o novo concurso de residentes (3 de fevereiro).
Os R$ 3,5 milhões serão pagos mensalmente pela Secretaria de Saúdea, sendo que a primeira parcela (de R$ 300 mil) foi prometida para fevereiro. Espera-se que o investimento permita o pleno funcionamento de 300 leitos do Pedro Ernesto, além da ampliação do número de leitos em UTI (serão abertos 12 leitos para adultos em UTI e 15 neonatais). Além disso, foi prometido o pagamento integral e imediato das bolsas devidas aos residentes: ficou estabelecido, segundo Teixeira Júnior, que o pagamento será feito pela própria Secretaria de Saúde caso a Secretaria de Ciência e Tecnologia, responsável pela folha dos hospitais univeristários, não o faça. Cada um deles recebe, em média, cerca de R$ 3.300 (são 230 vagas para médicos e 164 para áreas relacionadas).
- Vamos fazer o hospital funcionar plenamente. Conheço, no Brasil inteiro, diversos hospitais com programas de residêncioa médica e não conheço um que seja tão completo quanto o Pedro Ernesto - declarou o secretário.
Ruy Garcia Marques, o reitor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, responsável pela manutenção do Pedro Ernesto, classificou os novos valores como uma "luz no fim do túnel”. Marques também disse que a universidade foi surpreendida com a decisão da plenária da CNRM para suspender a contratação de novos residentes (o hospital universitário da UFRJ também foi impedido de contratar novos residentes, mas já foi liberado). A UERJ espera que promover o ingresso de cerca de 400 novos residentes no dia 1º de março, desde que a suspensão seja revista na próxima semana e o concurso realizado no início de fevereiro.
O médico residente Henrique Alves Machado atua no Pedro Ernesto há dois anos. Ele se formou pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e se dedicou, posteriormente, a uma especialização em cirurgia geral no hospital da Unirio. Hoje, está se formando em urologia no hospital ligado à Uerj. A empreitada na formação médica começou ainda na adolescência, quando deixou a cidade de Iuna, no interior do Espírito Santo, para viver na capital do estado e cursar o ensino médio e o pré-vestibular.
Segundo o profissional, a mudança de cidade foi diretamente influenciada pela vontade de aprender medicina em hospitais universitários públicos.
- Na minha opinião, é nos hospitais de universidade pública que se produz o conhecimento em medicina no Brasil. Resolvi fazer especialização na Uerj já ná época da crise e do atraso nas bolsas dos residentes. Resolvi enfrentar as dificuldades por acreditar que seria o melhor para a minha formação acadêmica. Não me arrependo nem um pouco da minha escolha - conta Machado.
O médico conta que a bolsa tem ficado constantemente atrasada. A promessa do novo repasse da Secretaria de Saúde, no entanto, não é tida como certa, embora seja considerada um alento. A expectativa de reativação de leitos anteriormente desativados também anima Henrique.
- Impacta em nossa vida e em nossa formação. Temos que nos dedicar também a plantões extracurriculares para podermos nos manter financeiramente. Eu e vários colegas estamos morando no alojamento que a universidade fornece por conta do baixo custo. Isso impacta, com certeza, em nossa vida. Pela formação que estou tendo, está valendo a pena passar por isso - finaliza.



