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Pais de menina de 2 anos morta por bala perdida ainda não conseguiram voltar para casa

RIO - Um dia depois do sepultamento da filha, a pequena Sofia, de 2 anos e meio, morta por uma bala perdida que a atingiu na cabeça, o casal Felipe Fernandes, policial militar de 34 anos, e Hérica Braga, de 33, ainda não conseguiu voltar para casa. Os dois estão à base de de calmantes na casa dos pais de Hérica, no Jardim América. Segundo eles, "a ficha ainda não caiu". Soldado do 16º BPM (Olaria), Felipe contou ao GLOBO que estava armado no dia da tragédia e que achava que a família de militar se preparava para a perda dele.

- Sempre imaginei que a minha família poderia um dia chorar por mim, mas nunca imaginei chorar pela minha filha - disse Felipe.

Tanto ele como a mulher não pensam em justiça. Felipe diz que ouviu um único tiro e que, agora, não importa de onde partiu a bala que matou a menina.

- Mesmo que tenha sido o bandido que atirou, ele não teve a intenção de matar minha filha. Mas, nós, policiais, recebemos treinamentos para agir em casa de perseguição, como avisar a outros policiais do rumo que o suspeito está tomando para fazer um cerco.

Já Hérica, cujo pai, irmão e tio também são policiais, comentou que sempre orou quando seus parentes saíam para trabalhar e que, quando passava das 20h e seu marido ainda não havia chegado, esperava o pior.

- Vida de parente de PMs é assim. Sempre orei por todos. E desde que conheci meu marido, sempre foi uma agonia. Como poderíamos prever uma tragédia dessa? - comentou a mãe de Sofia, que está recebendo ajuda espiritual da família, evangélica.

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